segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

LSD Dream Emulator - Parte 2


O japones Hiroko Nishikawa manteve um diário por mais de 10 anos dos seus sonhos, detalhadamente(Se vc quiser fazer isso, basta escrever seus sonhos todo dia de manhã ASSIM que acordar, depois de uns 10 minutos acordado vc já esquece o sonho), e ele usou seu diário pra criar esse jogo que é considerado o melhor "emulador de sonhos" mesmo.

O jogo foi lançado só no Japão e com cópias limitadas, hoje encontrar uma cópia é dificil e ela vale bastante! Mas o
jogo foi disponibilizado na PSN do Japão a partir de 2010 e todo mundo pode jogar. O jogo não tem quase nada de texto, e o que tem é em inglês então não tem problema pra ninguém.

LSD é perfeitamente o que se propõe, um simulador de sonhos, que deixa você "viajando" dentro dele. O jogo não salva automáticamente o que faz vc perder ele se esquecer de salvar, mas conta quantas experiências ou sonhos você já teve na tela inicial. LSD pode ser considerado alucinógeno. Ele tem uma entrada psicodélica, e você começa o jogo numa casa "estilo japonesa" mas alguns passos depois tudo muda a cada vez que você começa um novo sonho. O jogo não se repete.
No jogo temos misturas de fases bizarramente psicodélicas e coloridas e outras fúnebres e sombrias dando uma experiência assustadora se você jogar a noite.

Dizem que o jogo tem mais de 500 músicas que variam de sons eletrônicos a músicas ambientais depentendo do "sonho" que você está. Você pode estar num sonho assustador e o som cortar o clima colocando uma musica mais agitada.

Não tem muitos objetivos no jogo, basicamente é explorar e viver o sonho. Existe um arquivo dentro do jogo chamado ENDING.STR que teoricamente mostra o final do jogo, mas ninguém consegue abrir. Quanto mais joga mais opções você ganha dentro do jogo o que faz as pessoas jogarem bastante.

A edição limitada do jogo vinha com o cd do jogo, um cd de músicas e um livro com histórias baseadas nos sonhos reais do criador.


O jogo alucinógeno da uma experiência unica pra cada um. A história da creepypasta é totalmente plausível já que várias pessoas ficaram perturbadas jogando, e afirmando verem coisas no jogo muito desagradáveis. Você teria coragem de jogar?


Fotos do jogo original









O jogo tem muitas imagens subliminares



Não é muito fácil encontrar o jogo no Brasil, então quem quer ver ele, apague as luzes e assista esses "gameplays".

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LSD: Dream Emulator


Há alguns anos atrás, enquanto buscava jogos paranormais e assustadores no /x/ (N/T: 4Chan), eu encontrei um jogo japonês muito obscuro chamado “LSD: Dream Emulator” (N/T: Traduzido livremente como LSD: Emulador de Sonho). Apesar do jogo ter sido lançado em um número limitado de cópias, muitos sites tinham o ROM do jogo disponível para download. Naturalmente, eu o baixei, converti, e comecei a jogar.

Infelizmente, a ISO estava corrompida - ou mal gravada - e eu não podia ir muito além da tela inicial e, quando eu conseguia, tudo que eu via era um monte de cores e um zumbido estranho, como uma estática de rádio. Eu tentei baixar novamente a ISO várias vezes, tentando em sites diferentes, mas sempre acontecia a mesma coisa. Cores estranhas, som de estática. Eu postei perguntas em vários sites de jogos, mas dificilmente alguém tinha ouvido falar do jogo, muito menos tinha jogado-o. Eu descobri que o jogo tinha um grupo de fãs aqui e no Japão, e eventualmente eu encontrei um grupo dedicado ao jogo no Yahoo.


Eu postei uma pergunta, querendo saber se alguém conseguira fazer o jogo funcionar em emuladores; e alguns dias mais tarde, recebi uma resposta:

“Olá. Eu sou um dos membros do grupo que lançou a cópia do LSD na internet. Nós conseguimos copiá-lo com sucesso, mas não conseguimos fazê-lo funcionar em emuladores, só no console original.”

Naquele ponto, eu já tinha praticamente desistido. Eu não tinha um Playstation, e acabei não dando muita atenção mais ao jogo, mudando para outras coisas, como Eversion e Yume Nikki.

Então, no começo desse ano, LSD foi lançado na Playstation Network Japonesa. Eu lembrei do tempo em que eu queria muito jogar aquilo, e até havia visitado o eBay algumas vezes, em uma vaga esperança de encontrar uma cópia barata dele.

Então eu criei uma conta, comprei um cartão da PSN Japonesa e comprei o jogo. Depois de baixá-lo e instalá-lo, comecei a jogar.

O logo do Playstation apareceu como sempre, mas com um SCEI (N/T: Sony Computer Entertainment Inc.), já que era um jogo japonês. Não havia tela de copyright, mas esta já havia sido removida de vários outros jogos também.

O vídeo de introdução começou logo depois disso. Várias palavras coloridas apareceram pulando na tela, soletrando “Thespian Linked Dream” (N/T: Simulador de Sonho Conectado, traduzido literalmente), (aparentemente, é o que LSD significa).

Eu apertei o botão do círculo, e o jogo foi para a tela de abertura. Não havia nenhum “Press Start”, ia direto para uma tela com 4 ou 5 opções. Start, Save, Load e Options. Sobre o Start, havia uma linha de texto, dizendo o dia em que você estava. Mostrava “a DAY 01” (N/T: DIA 01)

Eu escolhi Start.

Uma coisa que eu havia aprendido no grupo do Yahoo, era que o primeiro Dia sempre começava em uma casa japonesa, com três andares. O que havia na casa era aleatório. O jogo todo era em primeira pessoa.

Eu andei pelo corredor em que começara, e andei em direção à uma prateleira, e a tela começou a ficar branca. Eis uma coisa estranha sobre esse jogo, você não pode interagir com nada. Andar para o nada leva você para uma nova área do jogo, chamada “Linking” (N/T: Conexão.)

A tela branca sumiu e eu estava em um campo. Eu não podia ver o que havia ao longe, porque toda a área estava coberta com uma espessa neblina. Os gráficos do jogo também eram muito básicos, sem sequer terem uma textura. Eu andei sem direção, e acabei batendo em uma árvore, o que me levou para outra área.

Dessa vez, as coisas estavam muito mais sinistras. Eu estava em uma cidade escura, sobre um píer de metal. Um barco flutuava na névoa, fora da água, e postes iluminavam as ruas. Eu andei pela estrada, e passei por becos. Grafite cobria algumas das paredes, estranhos olhos multi coloridos me encarando. Então eu ouvi um barulho, e a tela piscou rapidamente. Eu me virei.

Atrás de mim, um homem apareceu. Ele estava usando um chapéu cinza e um longo sobretudo. Ele começou a andar na minha direção, quase flutuando sobre o solo.

Eu tentei me afastar, mas o controle não estava respondendo, e o homem estava chegando cada vez mais perto.

Por um segundo, dois pontos vermelhos brilharam por sob o chapéu dele, e então a tela piscou mais uma vez.

Eu estava de volta à casa.

Mas algo havia mudado.

As texturas das paredes foram substituídas por imagens de violência real. Mulheres sendo estupradas, crianças sendo estripadas, canibalismo, tortura, um homem japonês quebrando os próprios de
dos com um martelo.

Enquanto eu andava pela casa, as imagens começaram a ficarem piores, e a música começou a distorcer e a ficar mais lenta. O corredor estava mais longo do que o normal, e estava ficando escuro.

Eu sabia o que estava no fim.

Ele estava.

Eu continuei a andar, a bile subindo pela minha garganta e lutando contra a vontade de vomitar, enquanto as imagens começavam a ficar cada vez piores no sentido de violência e obscenidade. Em um quadro mais á frente, um homem arrancava as pernas de um menino. Mais para frente, uma mulher grávida estava arrancando o próprio feto. Mais ainda adiante, uma gangue picava uma vaca em pedaços, enrolando seus orgãos internos ao redor dos corpos deles. Perto do final, algumas pessoas eram forçadas a comer o cadáver de uma criança, vomitando enquanto comiam.

Finalmente eu cheguei ao final do corredor.

A tela ficou escura, e uma linha de texto apareceu:

http://www.oharaweb.jp/LSD/GMN.html

Eu copiei o link rapidamente, e segundos depois, a tela ficou branca mais uma vez, e eu voltei para a tela inicial.

Dessa vez, o status dizia “D dAy 00”

Eu tentei começar mais uma vez, mas o jogo não me deixava continuar. Eu reiniciei o PS3 e o status voltou para o “a DAY 01”

Antes que eu começasse a jogar, eu tentei entrar no link. Ainda funcionava e uma página apareceu, cheia de escrita japonesa. Logo abaixo da página, estava uma imagem do Homem Cinza, como ele normalmente aparecia. Eu não podia ler em japonês, mas um dos meus amigos podia.

Ele morou no Japão por alguns anos, então ele podia ler e falar a língua fluentemente. Eu copiei o que estava escrito e o chamei.

Quando ele chegou, eu passei as horas seguintes explicando o que havia acontecido. Obviamente ele não acreditou em mim. Quem iria?

Mas ele concordou em dar uma olhada na escrita da página.

Depois de algumas tentativas, eu não consegui abrir a página novamente, então eu entreguei a ele a cópia que eu havia feito.

Ele leu-a por alguns minutos e de repente seu rosto ficou branco. Ele me entregou a cópia e sentou-se no sofá.

Não disse nada por 5 minutos, e então ele começou a me dizer o que estava escrito:

“Se você está lendo isso, muito bem.

Você viu o homem como ele é.
O que ele fez comigo enquanto eu dormia.
Enquanto eu sonhava seu pesadelo negro.
Você também deve ter visto.
Aquelas imagens violentas eram ele.
Ele não tem forma, apenas é um homem no sonho.
Ele causou tudo aquilo, todos os eventos nas imagens.
Ele pegou aqueles inocentes e os possuiu.
Ele os fez fazerem aquilo.
Ele me fez criar esse jogo.

GRAYGRAYGRAYGRAYGRAYGRAY"

(N/T: Gray = Cinza)

Assim que ele terminou, meu amigo se levantou, pegou seu casaco, e disse “O que quer que você tenha visto naquele jogo, não me conte.” E foi embora.

Na semana seguinte, ele voltou ao Japão. Eu não consegui mais mexer no meu console depois disso. Eu destruí o PS3 e troquei de computador.

Semanas mais tarde, eu recebi um telefonema. Meu amigo que estava no Japão matara um homem e cometera suicídio logo em seguida.

O homem que ele matara Masima Akukichi, era o designer do LSD.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Ticci Toby

Parece que há um longo caminho adiante, até chegar em casa. A estrada parece que não para de se estender a frente do veículo. A luz do farol do carro brilha através dos ramos das altas árvores verdes, e de vez em quando, ofensivamente refletindo a luz em seus olhos.
O ambiente estava cheio de árvores verdes profundas, formando uma floresta em torno da estrada. O único som era do motor do carro. Um som tranquilo que deixava um sentimento sereno.
Embora o passeio parecia estar indo bem, os dois passageiros estavam com um pouco de medo.
A mulher de meia-idade atrás do volante tinha o cabelo curto e castanho que combinam perfeitamente com seu rosto. Ela usava uma camiseta verde de gola no formato V e uma calça masculina. Brincos de diamantes decorado em cada uma de suas orelhas, que estavam bem discretos por causa do seu corte de cabelo que os cobriam. Ela tinha os olhos profundamente verdes da mesma intensidade de sua camisa, e a iluminação parecia torná-los mais visíveis. Embora ela estivesse sempre sorrindo, sua expressão facial era sombria e triste.
De vez em quando ela olha pelo espelho retrovisor para certificar seu filho no banco de trás, que estava parcialmente debruçado sobre seus próprios braços, e sua cabeça encostada contra a janela fria.
O menino não tinha uma aparência normal, qualquer um a primeira vista poderia notar que ele tem algo suavemente errado. Seu cabelo castanho bagunçado para todos os lados, e sua pele pálida, quase cinza. Muito diferente de sua mãe, seus olhos eram escuros, e ele usava uma camisa longa e branca que o hospital onde ele estava forneceu pra ele. As roupas que ele estava usando antes, estavam muito rasgadas e com várias manchas sangue, essa roupa realmente não poderia ser mais usadas.
No lado direito de seu rosto é possível ver alguns cortes juntamente a divisão de suas sobrancelhas. Seu braço direito estava enfaixado do pulso ao ombro, devido a estilhaços de vidros que atingiu seu braço.
Seus ferimentos pareciam ser doloroso, quando na verdade ele não conseguia sentir nada. Ele nunca pode sentir nada. Essa é apenas uma das glórias sobre ele. Quando pequeno ele sofreu de uma rara doença que o levou a ser completamente insensível diante da dor. Ele nunca sequer chorou com algum machucado. Ele poderia ter perdido um braço e não sentiria nada. Pode até parecer legal, mas devido a isso ele sofria transtorno psicológico, ele recebeu vários apelidos insultantes em curto espaço de tempo quando ele frequentava o primário, antes dele ser transferido para um centro de tratamento devido a sua síndrome de Tourette, que levava ele a ter tique nervosos de maneira que ele não podia controlar. Ele iria acabar quebrando seu próprio pescoço se continuasse se contorcendo incontrolavelmente com esses tique nervosos. As crianças que o provocavam chamando ele de Tique-Toby zombando dos seus espasmos exagerados. Então ele também começou a ter aulas particulares. Era muito difícil para ele estar em um ambiente de aprendizagem normal com crianças o perturbando.
Toby olhou fixamente para fora da janela do carro, seu rosto estava inexpressivo.
Toby Rogers era o nome do menino. E a última vez Toby se lembrava de ter andado de carro, foi quando aconteceu um acidente horrível.
Ele não se lembra de muita coisa. Inconscientemente as mesmas cenas se repetia na sua mente antes de desmaiar outra vez. Toby tinha sido o sortudo, enquanto sua irmã, ela não teve tanta sorte. Quando ele começou a pensar em sua irmã mais velha, e que ele não podia voltar no tempo para ajudá-la, seus olhos começam a lacrimejar. As memórias horríveis repetiam em sua mente. As memorias dele abrindo seus olhos e vendo sua irmã gritando de dor, seu corpo meio esmagada pelo carro, Toby estava pressionado contra o Air Bag do carro, sua testa perfurada de cacos de vidros e suas pernas e quadris imóveis.
Esta foi a última coisa que ele se lembrava de sua irmã mais velha querida.
O caminho para casa continuou parecendo durar uma eternidade. A viagem estava demorando por que sua mãe estava fazendo um caminho diferente para evitar passar na estrada onde aconteceu aquele acidente.
Finalmente o carro chegou no bairro de sua casa, e ambos estavam mais do que pronto para sair do carro e voltar para sua própria casa.
Era um bairro mais antigo, com casinhas pitorescas, todas próximas umas das outras.
O carro passou em frente a uma pequena casa azul, com vidros das janelas brancas.
Ambos rapidamente reconheceram o veículo velho que estava estacionado na frente daquela casa, também reconheceram o homem que estava parado na porta.
Toby sentiu raiva e frustração automática ao reconhecer seu pai. Seu pai, que não estava nos momentos que ele mais precisava.
Sua mãe estacionou o carro na garagem ao lado da casa, ela desligou o motor e se preparava para sair do carro e enfrentar o marido.

- Por que ele está aqui? - Toby disse calmamente enquanto ele olhava para sua mãe, que chegou a abrir a porta do carro.
- Ele é seu pai Toby, ele está aqui porque quer te ver - Sua mãe respondeu com uma voz monótona.
- Porque ele quer me ver? Porque ele não foi me ver no hospital? Porque ele não foi ver minha irmã Lyra antes de morrer - Toby estreitou os olhos para fora da janela.
- Ele estava bêbado naquela noite querido, ele não podia dirigir –
- Ah Sim, ele está sempre bêbado! - Toby abriu a porta antes de sua mãe e saiu cambaleando na calçada, entrou na casa ignorando seu pai que estava de cabeça baixa, com uma expressão triste, se sentindo culpado com o que aconteceu.
Seu pai abriu os braços, esperando um abraço de sua esposa, mas ela também o ignorou, passando reto pra dentro da casa apoiando seu filho para que ele pudesse caminhar sem cambalear.
- Connie - o marido começou a dizer com uma voz rouca: "Eu não ganho nenhum abraço de boas-vindas né?"
Ela ignorou as palavras desagradáveis do seu marido e continuo caminhado com seu filho apoiado em seus braços.
- Ei, ele já tem 16 anos ele já sabe andar sozinho", disse o pai, seguindo eles dentro de casa.
- Ele tem 17 anos – Disse sua esposa Connie - Toby, por que não vai para seu quarto descansar um pouco? Quando o jantar estiver pronto eu levo pra você.
- Não, eu já tenho 16 anos e eu posso sozinho mãe - disse Toby, sarcasticamente, olhando revoltado para seu pai, ele subiu as escadas para seu quarto, onde ele bateu a porta com violência.

Seu pequeno quarto não tinha muita coisa nele. Apenas uma pequena cama, uma cômoda, uma janela e nas paredes tinham algumas fotos emolduradas de sua família, quando eles ainda eram uma família, antes que seu pai se tornasse alcoólatra e começasse a agir com violência para o resto de sua família. Toby se lembrou de quando ele estava discutindo com sua mãe e ele agarrou ela pelos cabelos e a empurrou para o chão, e quando sua irmã Lyra tentou segura-lo, ele também empurrou e ela fazendo-a bater as costas no canto do balcão da cozinha. Toby nunca poderia perdoá-lo pelo que ele fez com sua mãe e irmã. Nunca.
Toby estava perto da janela e olhando para a rua. Ele podia jurar que ele via alguns vultos no canto do olho, mas também pensava que era coisa de sua cabeça depois de ter tomado várias medicações a pouco tempo.
Sua mãe o chamou para descer e jantar, Toby desceu as escadas rapidamente, sentou-se à mesa bem de frente a seu pai, do seu lado esquerdo sua mãe estava sentada e do lado direito uma cadeira vazia a qual antes sua irmã ocupava.
A comida estava servida na mesa, uma maravilhoso banquete, mas Toby se recusou a comer. Ele apenas observava seu pai com um olhar vazio. Ele também encarava Toby e desviava seu olhar para seu prato, que ele ao menos tocou. Então ele se retirou da mesa e voltou para seu quarto.
Toby deitou-se em sua cama, ele puxou as cobertas sobre a cabeça e olhou para janela. Ele estava cansado, mas de maneira alguma ele conseguia dormir. Ele não podia, não havia muito o que pensar. Ele não sabia se deveria fazer como sua mãe e perdoar por suas ações ou continuar guardando rancor com seu ódio fervente.
Ele ouviu o som da porta sendo aberta, sua mãe caminhou para cama dele sentou-se ao lado onde ele estava deitado, ela estendeu a mão e esfregou em suas costas.

- Eu sei que é difícil Toby, mas confie em mim, eu te entendo, mas eu prometo que tudo vai melhorar - disse ela em voz baixa.
- Quando é que ele vai embora? - Toby disse com um tom inocente em sua voz trêmula.
Connie abaixou a cabeça e respondeu.
- Eu não sei querido, ele vai ficar conosco, até quando eu não sei.

Toby não respondeu. Ele apenas continuou a olhar para a frente para a parede, segurando seu braço danificado perto de seu peito.
Depois de alguns minutos de silêncio, sua mãe suspirou, inclinou-se para dar um beijo em seu rosto e se levantou, enquanto fechava a porta ela disse:

- Boa noite querido.

As horas passavam lentamente, e Toby não conseguia parar de se mexer e revirar pela cama. Toda vez que ele estava pegando no sono, ele ouvia o barulho de pneus, os gritos de sua irmã, e ele incontrolavelmente se contorcia na cama de agonia.
Então ele jogou pra fora da cama as cobertas e virou seu rosto para baixo contra o travesseiro. Ele sentia seu peito se enchendo com a força que seu diafragma fazia enquanto ele chorava. Ele ouvia seu próprio choro. Ele pressionou ainda mais seu rosto enquanto gritava lamentando tudo que estava acontecendo.
Após alguns segundos, ele jogou o travesseiro pra fora da cama também e sentou-se, curvado, segurando a cabeça, com lágrimas escorrendo de seus olhos.
Ele não conseguia parar de chorar. Ele tentou se acalmar, mas ele não conseguia parar de tremer, se lamentar e choramingar. Então ele se levantou caminhando para janela do seu quarto, respirando fundo tentando se acalmar.
Ele esfregou os olhos e olhou para os altos pinheiros em frente. De repente ele parou de chorar, quando ele viu que algo que estava sob um poste de luz na rua. Ele ouvia um zumbido nos ouvidos e ele não conseguia desviar o olhar.
A figura estava ao lado do poste de luz na rua, cerca de 2 metros ou até mais, dois braços longos e algumas espécies de tentáculos em suas costas, aquela figura estava olhando para Toby, mesmo que aquilo não tinha olhos. A figura não tinha as características normais em seu rosto. Sem olhos, sem boca, sem nariz, ainda sim Toby ficou meio que hipnotizado olhando sem piscar para ele. O zumbido nos ouvidos ficou mais alto e mais alto a medida que aquela coisa se aproximava, então tudo foi ficando escuro.
Na manhã seguinte, Toby acordou em sua cama. Ele se sentia estranho, ele ainda estava muito cansado, parecia que ele estava deitado ali, acordado por horas. Ele não tinha pensamentos sólidos fluindo por sua mente. Ele se sentou lentamente e tropeçou contra a parede quando tentou se levantar, ele estava muito tonto. Ele cambaleou até a porta e desceu as escadas. Seus pais estavam sentados à mesa, seu pai prestava atenção na pequena televisão em cima do balcão, e sua mãe lia o jornal. Ela rapidamente percebeu a presença de Toby se aproximando dela.

- Bom dia dorminhoco, pelo jeito você dormiu tarde de novo. – Disse ela com um grande sorriso no rosto.
Toby lentamente olhou para o relógio e percebeu que já eram 12:30
- Eu preparei seu café da manhã, mas como você não acordou cedo, ele já esfriou, eu até ia te acordar, mas vi que você precisava dormir - a expressão de felicidade saiu do seu rosto quando ela perguntou a Toby. - Você está bem?

Toby caminhou até seu pai. Ele se sentiu como se estivesse sendo controlado, ele não tinha controle sobre suas ações. Ele só conseguia olhar, enquanto seu corpo agia involuntariamente. Ele abriu os braços como se fosse abraçar seu pai, mas seu pai ergueu as mãos empurrando ele contra a parede.
- Não me toque menino! - Gritou ele.
Sua mãe se levantou e gritou
- Não encoste no meu filho! Saia dessa casa! A última coisa que precisamos é de você por perto!
O pai dele saiu, mas voltou mais tarde naquele dia, como se nada tivesse acontecido.
Os dias se passaram, e as coisas continuaram da mesma forma. Connie passava a maior parte de seu tempo a limpeza da casa, e seu grosseiro marido só resmungava por tudo, todo dia eles discutiam. Era exatamente como costumava ser antes do acidente.
Toby evitava sair do seu quarto. Sentava-se ao lado da cama estremecendo. Só saia de lá quando sua mente o lembrava de comer. Ele ficava andando pelo seu quarto como um animal enjaulado, parava um pouco e olhava pela janela. Este ciclo se repetia continuamente.
Connie era agredida várias vezes por seu marido, sendo muito submissa a ele, enquanto Toby ficava em seu quarto.
Em uma dessas tardes, Toby teve mais um de seus tique nervosos, e sem pensar direito ele começou a mastigar suas mãos, rasgando a carne de seus dedos. Ele iria roer suas mãos até sangrarem. Nesse momento sua mãe entrou no quarto e viu essa cena horrível, a primeiro momento ela não sabia o que fazer. Então ela desceu as escadas e pegou o kit de primeiros socorros e enfaixou seu braço. Nesse momento ela prometeu a si mesma que não deixaria ele sozinho novamente.
Então ele se isolou novamente em seu quarto e passou a odiar todas as pessoas que tentavam se aproximar dele. Sua memória começou a ser afetada. Ele não se lembrava de coisas que havia acontecido há alguns segundos, minutos, horas, dias e assim por diante. Ele também começou a falar um monte de bobagens, sobre coisas completamente absurdas. Ele dizia ver coisas, disse haver tubarões em sua na pia enquanto lavava os pratos, ouvia grilos em seus travesseiros, e via fantasmas do lado de fora da janela do seu quarto.
Sua mãe ficou muito preocupada com sua saúde mental, ela decidiu que seria bom leva-lo para falar com um profissional sobre o que ele estava sentindo.

Connie e Toby entraram no edifício, segurando sua mão ela guio seu filho até a recepção.
-Sra. Rogers? - A moça atrás do balcão perguntou.
- Sim, sou eu - Connie balançou a cabeça - Estamos aqui para ver o doutor Oliver, eu estou aqui com Toby Rogers.
- Sim, por aqui – Disse a atendente levantando-se e acompanhado Connie e Toby para um longo corredor. Toby olhava para a obras de arte emolduradas pelos corredores e em sintonia com o som dos saltos altos da senhora no chão de madeira dura. Ela abriu a porta para uma sala com uma mesa e duas cadeiras.
- Podem se sentar e ficar à vontade, vou chamar a Dr. Oliver - Ela sorriu e segurou a porta aberta.
Toby caminhou na sala e sentou-se à mesa. Ele olhou para sua mãe e para moça do balcão antes dela fechar a porta lentamente.
Ele estava agoniado com suas mãos firmemente enfaixadas, então começou a morder as ataduras para tentar desembrulhar suas mãos, mas foi interrompido quando a porta se abriu e uma jovem mulher com um longo vestido preto e branco, e grandes cabelos loiros, ela segurava uma prancheta e uma caneta.

- Você que é o jovem Toby? – perguntou ela com um sorriso.
Toby olhou para ela e balançou a cabeça.
- Prazer em conhecê-lo Toby, meu nome é Doutora Oliver - ela estendeu a mão para cumprimentá-lo, mas percebeu que suas mãos enfaixadas. Então ela puxou uma cadeira, sentando a frente dele.
- Então, vou te fazer algumas perguntas, pode responder com calma, e da forma mais honesta possível, ok? Ela colocou a prancheta em cima da mesa e Toby acenou com a cabeça.
- Quantos anos você tem Toby?
- 17 – respondeu ele calmamente.
Ela fez uma pequena anotação na folha e fez a próxima pergunta.
- Qual é seu nome completo?
- Toby Erin Rogers.
- Qual a data do seu aniversário?
- 28 de abril.
- Quem são os membros da sua família atualmente?
Toby parou por um minuto antes de responder a pergunta.
- Minha mãe, meu pai, e ... m- minha irmã.
- Eu soube o que aconteceu com sua irmã ... Eu realmente sinto muito - a expressão do rosto da Dra. Oliver foi entristecendo, olhando Toby cheio de compaixão.
- Você se lembra de algo antes do acidente? -
Toby desviou o olhar para sala. Sua mente ficou em branco por um momento. Ele olhou para seu colo, e em torno, ele começou a ouvir um som fraco. Seus olhos se arregalaram e ele ficou congelado em seu lugar.
-Toby, Toby você está ouvindo? – perguntou Dra. Oliver.
Toby sentiu um arrepio descer pela sua espinha quando ele olhou para fora da pequena janela através da porta, onde ele viu. Aquela mesma figura, olhando para ele. Toby arregalou os olhos, os sons dos ruídos foram aumentando cada vez mais, até que o grito da doutora fez que Toby acordasse desse transe.
-Toby! - Ela gritou.
Toby deu um pulo que até caiu de sua cadeira.

Doutora Oliver levantou-se, segurando a prancheta contra o peito. Seus olhos expressavam um olhar de surpresa e medo.
Após um tempo, Toby se acalmou, seus olhos relaxaram e sua respiração já não era ofegante.
Naquela noite, Toby deitou em sua cama. Seus olhos se fechavam lentamente enquanto ele pegava no sono. Quando ouviu um som de passos vindo do corredor. Ele se sentou na cama, olhando para porta aberta. Não havia luz, tudo estava sendo iluminado pelo brilho azul luminescente da lua através de sua janela, deixando uma iluminação fria. Ele se levantou e caminhou lentamente em direção à porta, quando se aproximou da porta, ela se fechou bruscamente, batendo em seu rosto. Ele suspirou e caiu para trás. Ele caiu no chão e começou a respirar pesadamente, seus olhos estavam bem abertos. Ele esperou por alguns segundos antes de se levantar. Ele estendeu a mão e agarrou a maçaneta da porta fria com a mão ainda enfaixada então abriu a porta. Ele olhou para o corredor escuro e foi caminhando silenciosamente.
A janela no final do corredor iluminou a escuridão com a luz da lua azul. Ele podia ouvir os passos farfalhando ao redor dele, e também ouviu um fraco riso, soava como uma criança, tinha corrido na frente dele, rindo e correndo por ali. Ele estava caminhando ha algum tempo pelo corredor, quando ele percebeu. Parecia que aquele corredor não havia fim. Ele ouviu um rangido da porta a sua frente.
- M- mamãe - ele disse em voz trêmula.
De repente, a porta atrás dele se fechou ele deu um pulo assustador se virou onde viu que a porta foi fechada. Atrás dele, ele ouviu um gemido estranho e longo que soava como cochichos do lado direito do seu ouvido. Ele se virou tão rápido quanto pode para ficar cara a cara com nada mais que, sua irmã morta.


Os olhos dela estavam totalmente escuros e sua pele pálida, O lado direito de sua mandíbula estava pendurada no rosto pelo tecido muscular de sua pele, um grande pedaço de vidro estacado em sua testa, e sangue, muito sangue negro escorrendo por seu rosto, seu cabelo loiro amarrado para trás em um rabo de cavalo como sempre foi, ela vestia a mesma roupa que usava no dia do acidente elas estavam manchada de sangue. Ela estava apenas uma polegada de distância do rosto de Toby.
Toby caiu de joelhos no chão e com muito medo começou a engatinhar para trás tentando se afastar dela. Ele arrastou-se para trás até que ele encostou em algo.
Ele parou por um segundo. Tudo estava morto em silêncio, exceto por sua pesada respiração e choro. Ele lentamente olhou para cima para encontrar o rosto branco de uma figura alta que estava em cima dele. Atrás dessa figura alta e escura, havia uma fileira de crianças, crianças de 3 a 10 anos, os olhos delas eram completamente negros e lacrimejavam sangue.
Ele gritou, se levantou tão rápido e começou a correr, mas caiu de joelho quando uma espécie de tentáculos enrolou por seu tornozelo. Caído no chão ele tentava gritar para expressar o seu medo, mas não saia um som de sua boca, ele não conseguia gritar.
Toby acordou desesperado. Ele começou a se acalmar quando percebeu que era apenas um pesadelo. Ele colocou a mão no próprio peito sentindo seu coração.

- Foi apenas um sonho... Apenas um sonho.

Ele se acalmou e voltou a deitar na cama. Era como se um peso enorme estivesse em sua consciência. Ele se levantou e caminhou até sua janela. Ele não viu nada. Ninguém estava lá fora. Nada nem ninguém.
Ele ouviu o farfalhar e tosse de seu pai para fora da porta. Sua porta estava fechada.
Ele se aproximou e abriu-a. Olhando para o corredor mais uma vez. Ele caminhou pelo corredor e entrou na cozinha, onde ele encontrou seu pai em pé e fumando um cigarro em sua sala de estar.
Toby esperou um segundo e observou de todo o canto antes de uma sensação de queimação começar a agir fundo de seu peito.
Ódio, queimação e raiva tomou conta dele. Ele ouviu as pequenas vozes imaginárias em sua cabeça.
"Acabe com isso, acabe com isso, acabe com isso". Ele se virou e segurou seus braços. Ele sentiu como se ele realmente tivesse o controle sobre si mesmo, ao contrário do que fez nas últimas semanas desde que ele chegou em casa do hospital.
Na verdade, ele tinha pensamentos claros por apenas alguns momentos antes de sua mente for obscurecida pelas pequenas vozes em sua cabeça.
"Mate ele, ele não estava lá, ele não estava lá, mate ele, mate ele", as vozes continuaram. Toby tremeu. Não. Não, ele não ia fazer isso. Eles estava ficando louco? Não. Ele não vai matar ninguém. Ele não pode. Ele odiava seu pai, mas não odiava a ponto de matá-lo.
A influência das vozes em sua cabeça era demais. Ele começou a caminhar em silêncio atrás de seu pai. Ele estendeu a mão sobre o balcão e pegou a maior faca que estava lá. Ele firme na mão. Ele sentiu a sensação de assumir o seu peito. Ele soltou uma risadinha. "Hehe ... heheh ... hehehehehe ! HAHAHAHA ! ", Ele começou a rir tanto que que chamou a atenção do seu pai. Ele se virou abruptamente antes que dele sentir uma força bruta empurrá-lo para o chão. Ele grunhiu quando ele foi nocauteado. "O quê!", Ele olhou para o menino que estava em cima dele, agarrando a faca de cozinha na mão. "Toby, o que você está fazendo?!", Toby foi pegar em seu pescoço, mas seu pai estendeu a mão bloqueado, agarrando ele pelo pulso.
- Pare! Saia de mim seu filho da mãe - Ele gritou, e com a outra mão ele jogou um soco para fora do centro do ombro de Toby, mas ele não parou. O olhar nos olhos de Toby não era sensato. Era como se um demônio tivesse tomado o controle sobre ele.
Ele gritou de volta e tentou dar uma facada no peito de seu pai, mas novamente foi bloqueado. Seu pai tentava tira-lo de cima dele, mas Toby expôs seus pés na frente dele e conseguiu um duro golpe direto para o seu rosto. Seu pai recuou e puxou seus braços para longe para algemar seu rosto, mas Toby voltou-se e dirigiu a faca diretamente em seu ombro. Seu pai soltou um grande grito e saiu para puxar a faca, mas antes que ele pudesse, Toby jogou seu punho em linha reta em seu rosto.
Ele começou a bater com os punhos em sua cabeça, rindo e respiração ofegante. Ele quebrou o pescoço, pegou a faca e começou a rasgar seu pai arrastando a faca do ombro ao peito e repetidamente esfaqueado em seu torso, o sangue derramando e se espalhado por toda parte. Ele não parou até que o corpo de seu pai parasse de se contorcer.
Ele jogou a faca para o lado e se inclinou sobre seu corpo, tossiu e respiração ofegante. Ele olhou para o seu rosto, até que um grito alto quebrou o silêncio. Ele olhou para ver sua mãe em pé a poucos metros de distância, cobrindo a boca, lágrimas escorrendo de seus olhos.
-Toby - ela gritou - Por que você fez isso? Por quê! Toby se levantou e começou a se afastar do cadáver ensanguentado de seu pai. Ele começou a se voltar para fora da cozinha. Ele olhou para as bandagens encharcadas de sangue em suas mãos e olhou para sua mãe uma última vez antes de ele se virar e correr para fora da casa.
Ele correu para garagem e bateu a mão contra o painel de controle na parede e apertou o botão para abrir a porta da garagem. Antes ele pegou dois pequenos machados do seu pai, que tinha sido pendurado na prateleira de ferramenta acima de uma mesa cheia de frascos, cheio até a borda com velhos pregos enferrujados e parafusos. Um dos machados era novo, tinha uma alça laranja brilhante e uma lâmina brilhante, o outro era velho com um cabo de madeira e uma lâmina cega.
Ele agarrou os dois e olhou para a mesa e seus olhos encontraram uma caixa de fósforos e debaixo da mesa era um tanque de gasolina vermelho. Ele segurou ambos os machados em uma mão e fez uma trilha de gasolina do tanque até a calçada da rua.
Ao aproximar-se da luz da rua que ele podia ver a sua própria janela do quarto, ouviu as sirenes da polícia para longe. Ele virou-se e as luzes vermelhas e azuis veio correndo pela rua. Toby ficou parado por um segundo, antes que ele abriu a tampa do tanque de gasolina e correu pela rua, derramando gasolina por toda a rua atrás dele e ele se virou para correr para as árvores. Ele derramou a última gota de gasolina enfiou a mão no bolso e tirou um fósforo. Ele bateu contra o caixa e imediatamente deixou cair. Em um instante, as chamas irrompeu em torno dele. O fogo pegou para as árvores e arbustos ao redor dele e antes que ele percebesse, ele também foi cercado pelo fogo. As silhuetas de carros de polícia, era visível através das chamas quando ele recuou para a floresta ao seu redor. Ele olhou ao redor, mas sua visão estava turva, seu coração estava batendo mais forte e ele fechou os olhos por um momento. Era isso. Este foi o fim.
Toby sentiu uma mão em seu ombro. Ele abriu os olhos e olhou para ver uma grande mão branca, com longos dedos ósseos que descansava em seu ombro. Ele seguiu o braço que foi anexado à mão para um vulto escuro imponente. Ele parecia estar vestindo um terno preto escuro, e do rosto estava completamente em branco. Ele elevou-se sobre o corpo pequeno de Toby e olhou para ele. Toby já sabia que era seu fim, ele foi ensurdecido e cercado pelo som de zumbido nos ouvidos. Tudo ficou em branco.
Era isso. Esse foi o fim. E foi assim que Toby Rogers morreu.
Poucas semanas depois, Connie sentou-se na cozinha de sua irmã. A irmã dela, Lori sentou ao lado dela para beber uma xícara de café.
Cerca de três semanas atrás, Connie perdeu seu marido e seu filho e algumas semanas antes, ela perdeu a filha a um acidente de carro. Desde então, ela foi morar com a irmã. A polícia manteve ela sob vigilância até que tinham acabado de solucionar o caso sobre a história que tinha sido lançada há duas semanas e as pessoas começaram a deixar de lado a notícia do assassinato e incêndio e se preocupavam com os novos casos.
Lori ligou o TV no canal de noticiário. Na TV o repórter começou a introduzir o novo título.
"Temos notícias de última hora! Ontem à noite, houve um assassinato relatado por 4 indivíduos. Não há suspeitos ainda, mas as vítimas eram um grupo de crianças da escola secundária que estavam na floresta na noite passada. As crianças foram "espancadas" e esfaqueadas até a morte. Os pesquisadores descobriram uma arma na cena do crime que parece ser um velho machado de lâmina maçante, como você pode ver aqui. "O retratado alterado para mostrar tiros snap da arma exatamente como ele foi deixado na cena do crime."
Os investigadores tinha puxado o nome de um possível suspeito, Toby Rogers, um menino de 17 anos que há algumas semanas tinha esfaqueado o pai até a morte e tentou encobrir sua fuga através da criação de um incêndio nas ruas e na área de floresta ao redor do bairro. Apesar de terem acreditado o menino tinha morrido no incêndio, os investigadores suspeitam que Rogers ainda pode estar vivo, devido ao fato de que seu corpo nunca foi encontrado."

sonic colors

Olá, meu nome é Alex. Eu sou uma garota alemã de 13 anos e moro com meus pais em uma casa grande. Não tenho muitos amigos, porque sou diferente. Eu tenho autismo, mas não é disso que esta história se trata! Enfim, preciso voltar ao assunto...
Você conhece o jogo mais recente da SEGA que foi lançado, Sonic COLORS, certo? Bem, sendo uma fã do Sonic, eu estava muito animada para jogar o jogo no meu Wii. Quando ele foi lançado, comprei-o em uma loja varejista normal em que minha mãe havia me levado algumas vezes. Não havia nada de estranho nele. Sem 666, sem sangue ou qualquer coisa assim. Era apenas um jogo perfeitamente normal. O caixa ainda tirou o CD da embalagem para que eu pudesse ver se estava tudo certo. Sem riscos. Estava tudo perfeitamente normal e novo.
Enquanto minha mãe me levava pra casa, eu estava feliz como nunca. O jogo teve criticas muito boas de meus poucos amigos e eu estava feliz já que poderia finalmente jogar um bom jogo de Sonic novamente desde o Sonic Adventure 2 Battle. Quando cheguei em casa, eu imediatamente corri até meu quarto. Cumprimentei minha coleção Sonic (brinquedos, quadrinhos e jogos) e meus outros brinquedos. Então eu corri direto para o meu Wii, inserindo o jogo e aguardando-o carregar.


Quando finalmente carregou, pulei a introdução e fui direto para a tela de título. Também estava tudo normal. O título "Sonic Colors" e o fundo não pareciam assustadores para mim. Fiquei feliz em finalmente começar meu jogo, mas quando cheguei à tela do menu onde os arquivos salvos eram mostrados, notei que já havia um arquivo salvo... O nome dele era "SONIC", e estava concluída em 100%. Aquilo me deixou nervosa. Eu tinha CERTEZA de que o jogo era novo! O arquivo não deveria estar lá. Mesmo assim, queria ver o que estava dentro dele, então eu cliquei no arquivo e ele me levou para a tela de carregamento.
Eu apareci no que parecia ser uma versão totalmente revisada da Station Square! Nem sequer sabia que a Station Square estava no jogo. Decidi correr e conversar com os personagens de lá. A maioria deles eram seres humanos. Todos eles me cumprimentaram alegremente. Tails também estava lá. Quando falei com ele, ele disse "Hey, Sonic! Como você está?". Amy e Knuckles também estavam lá, mas não conversei com eles porque eu não gostava da Amy e do Knuckles, e eles não me interessaram. Andei um pouco para ver se havia algo mais para se fazer, mas não havia. O jogo estava terminado.
Eu então reiniciei meu Wii para sair do arquivo e deletá-lo. Depois de deleta-lo, de repente, o jogo me mandou de volta para a tela de título. Agora ele dizia simplesmente "COLORS", e o "SONIC" estava faltando. Eu ri por algum motivo. Achei que tinha encontrado uma falha no jogo, mas eu não sabia o que ainda estava para acontecer. Então criei meu próprio arquivo, salvei e o jogo começou como de costume... Na verdade, QUASE como de costume. Na introdução, Sonic estava sozinho. Tails não estava com ele, enquanto Eggman dava sua breve introdução ao seu "inocente" parque temático. Tirando isso, a introdução prosseguiu normalmente. Após as palavras de Eggman, na parte onde Sonic deveria zombar dele, Sonic apenas olhou para cima com uma expressão séria. Tails ainda não estava lá. Sonic andou ao redor do parque, sozinho, olhando em volta com um olhar nervoso e um pouco triste. Eu me perguntava por que ele não falava absolutamente nada e por que a cena estava demorando tanto tempo para terminar. Então a cena de flashback, que aparecia normalmente depois do Tails dizer "Não foi tão fácil assim..." ou algo assim.
O elevador foi subindo para o parque temático. "Olá, povo feliz!" Eggman gritou. "Juntem-se todos, enquanto o Elevador Ultra-Acelerador Espacial do Eggman os leva para um país das maravilhas interplanetárias de diversão!" A câmera então mostrou o interior do elevador. Estava tudo em silêncio, e Sonic ainda estava sozinho. A cena muda para o Sonic, olhando para cima. "Talvez aqui eu consiga descobrir quem eu sou." Então o vídeo com os robôs que perseguindo os Whisps começou. Estava tudo normal, exceto pelo fato do Sonic IGNORAR a cena e fugir de lá. Achei isso muito estranho, e nem sabia o que pensar, mas tentei ignorar isto e continuar jogando. O primeiro nível começou, mas não consegui terminá-lo porque Sonic estava correndo muito devagar, e sem a ajuda dos Wisps não havia jeito. Não sabia o que estava fazendo de errado e já estava ficando bastante frustrada com o jogo, então decidi desligá-lo e ir brincar com meus brinquedos pra esfriar a cabeça (Sim, eu ainda brinco com meus brinquedos!).
Na tarde do dia seguinte, comecei a jogar novamente depois da escola. A tela de título ainda mostrava somente "COLORS", e o fundo parecia estar mais cinza, sem vida... Algo definitivamente estava errado com aquele jogo. Porem, continuei jogando para ver o que mais acontecia. Selecionei o meu arquivo anterior, e a tela permaneceu preta por um bom tempo. Mas de repente:
"Eu costumava ter amigos." Ouvi o Sonic dizer em um tom muito triste.
"Tudo se tornou tão chato e sem sentido desde que perdi o meu nome."
"Quem sou eu?!"
Fiquei completamente apavorada. Isto não é algo que o Shadow diria? Eu não entendi nada! De repente, quando o jogo finalmente começou, Sonic não apareceu na primeira fase... agora ele apareceu na Station Square, igual ao arquivo deletado. Desta vez, a cidade estava quase completamente cinza. Os prédios, os personagens, tudo... Apenas Sonic, Tails, Knuckles e Amy ainda permaneciam coloridos no local. Decidi conversar com Tails, e para minha surpresa, ele respondeu: "Eu não te conheço..."
O quê?! Tails era o melhor amigo de Sonic! Como ele não se lembrava dele? Enquanto olhava para a tela, as cores de Tails começaram a desbotar, até eventualmente chegarem no mesmo cinza maçante do resto da cidade. Até a expressão dele parecia sem emoção e vazia. Então conversei com Knuckles. Ele apenas respondeu com um "..." e ficou completamente cinza também. Eu realmente não queria falar com a Amy, já que eu não gostava dela , então decidi dar uma volta e procurar algo com que eu pudesse interagir. Depois de um tempo correndo ao redor, percebendo que eu não podia falar com mais nenhum personagem nem fazer qualquer outra coisa que me ajudasse, então decidi conversar com Amy, mais me arrependi ainda mais logo em seguida: "Alguma coisa está faltando. É como se o propósito de minha vida tivesse sumido." Ela disse, enquanto também desbotava ao cinza como todos os outros. Por mais que eu não gostasse da Amy, isso realmente mexeu comigo, e ver a expressão triste e sem vida de Amy, a garotinha ingênua que fazia de tudo para casar com seu amor... isso tirou muitas lagrimas de meus olhos.
A tela mudou para um fundo preto e o texto GAME OVER apareceu.
Alguém pode me dizer o que diabos aconteceu? Isso realmente me assustou muito! Eu não sei o que isso significa, nem sei o que fazer! Estou completamente apavorada e perturbada!

Reservoir

Existe esse restaurante, ele não é propriamente um lugar, uma localidade em sí, mas um conjunto. Nunca é tão grande que dê agonia ou tão pequeno que dê claustrofobia. As mesas e o cenário tem uma decoração extremamente requintada, e por mais que você preferisse estar em um bar de beira de estrada, vai gostar do ambiente.

Infelizmente não possui um endereço fixo, mas alguns dizem que ele vive em sua saudade, em suas memórias mais frágeis, e até mesmo em algum canto quebrado de sua mente. Eles não entregam em casa e não fazem reservas, mas sempre que você os encontrar, eles terão o melhor lugar no salão separado para sua pessoa. Não se entra acompanhado, apenas sozinho. É um pré requisito para manter o tratamento de alta qualidade. O atendimento é sem igual e a comida, bem, a comida...

Como achá-lo?

Uns dizem que a maneira mais fácil é se entregar à solidão, é se tornar melhor amigo de sí mesmo e da massa enegrecida que vai crescer dentro de você durante esses longos dias de isolamento. Diz-se também para comer apenas pão sem sal e beber água, se abster de sabores durante um longo período. Não há um prazo estabelecido, sabe-se que cedo ou tarde você vai se sentir impelido a sair, e mesmo tendo passado dias preso em casa e comendo só o básico para sobreviver, você se sente inteiramente disposto para ir até lá, e, naturalmente, você sabe onde é.

Antes de sair de casa você põe uma roupa que julga adequada a uma situação deste porte, se barbeia ou se maqueia, se olha no espelho, confere as horas e senta em seu sofá, cadeira, cama, onde preferir. Ao piscar os olhos você estará caminhando por ruas que conhece, mas não vai se lembrar de como chegou ali.

Após longa caminhada a luz fosca do poste que fica de frente ao restaurante se insinua e você a segue.

A faixada é larga e o prédio é só um andar, grande e requintado. Ao chegar na porta o segurança lhe faz uma leve reverência, sem lhe olhar nos olhos, e abre caminho. O recepcionista tem um fino bigode e um sorriso pegajoso, o cabelo encharcado de gel e extremamente magro com sobrancelhas grossas e negras. Então ele pega sua planilha, retira um pedaço de papel vazio e lhe indica o caminho até sua mesa.

O salão aparenta estar vazio, ao longe, como a quilômetros de distância você vê outras pessoas sentadas, em grupos, comendo, rindo, se divertindo, mas antes que você pense em se levantar para mudar de mesa ou olhar melhor a atividade da aparente festa um garçom altíssimo lhe contém com uma suave mão no ombro e lhe informa que seria falta de educação sair agora, uma vez que seu pedido já estava para chegar. Mas você ainda não havia pedido nada. Não? Mesmo? O garçom tinha a impressão que sim. Longo como um eucalipto e mais magro que o recepcionista o garçom então pergunta se quer olhar o menu ou se deseja o especial do da casa.

Intrigado você resolve olhar o menu e o garçom desliza ao outro lado da sua cadeira e lhe apresenta um menu aberto. Ele mesmo o segura para que você leia, e ele treme como se houvesse bebido café demais, você tem certa dificuldade para ler, mas consegue. No vibrante menu você distingue diversas opções e conhece todas elas, variantes de pão-com-ovo até lagosta ao molho de camarões, que você comeu uma vez num jantar de uma empresa que visitou. A tabela não mostra preços. Se pedir qualquer um deles o garçom lhe informará que não estão disponíveis, e, curvando o corpo como um guindaste ele lhe informa que o especial da casa é a melhor pedida, o preço é modesto, o sabor incomparável e se não estiver disposto a provar, pede-se apenas que se retire gentilmente e nunca mais volte.

Então você toma a decisão. Pode levantar, se retirar e nunca mais voltar, ou ficar e provar o especial da casa, com seu modesto preço e relativo vantajoso custo-benefício.

Se for embora e tentar retornar ao lugar repetindo o dito processo outra vez, falhará terrivelmente.

Se ficar terá todo o tempo do mundo com a longa face paciente do garçom a lhe encarar a mais ou menos 15 centímetros de distância, quase dobrado para lhe encarar, até tomar sua decisão. Então por fim você pede o especial da casa. O garçom se ergue com agilidade e as luzes do teto aumentam e abaixam. Em um minuto o garçom retorna com uma bandeja e põe sobre a mesa. Antes de levantar a tampa o garçom questiona se realmente quer o especial, e lhe informa que na bandeja se encontra o preço a ser pago, mesmo antes do consumo. Você concorda e ao erguer a tampa ele revela um prato simples com uma colher e um copo de água do lado. No prato você vê um montículo de serragem. Serragem. O garçom explica que o preço é saborear a serragem e beber a água, após a refeição principal. Em algo que parece ser uma provocação o garçom pergunta mais 3 vezes se você tem certeza. Quando você responde pela terceira vez que sim olhando para o estranho preço no prato ele tampa bruscamente a bandeja, fazendo um estrondo terrível no salão e fechando a cara. Em fúria ele sai e retorna outro minuto depois com a entrada.

De volta com o sorriso ele lhe serve o seu café da manhã preferido. Seja ele qual for. Ao comer a primeira garfada a mesa se transfigura naquele seu lugar favorito para tomar café, seja uma mesa de avó, seja um sofá no seu apartamento, e o gosto é perfeitamente igual e maravilhoso, tudo que deseja, o garçom lhe traz. A parte que você estranha é a seguinte: Você não se sacia nunca, mesmo comendo quilos e saboreando o paraíso de suas melhores memórias. Pergunta ao garçom e ele lhe responde que é assim mesmo, que os ingredientes são finíssimos e levíssimos. Então, quando você estiver enjoado de café da manhã, após alguns minutos comendo, ou algumas horas, você pede o prato principal. O garçom lhe informa que logo servirá.

Conforme ele traz mais bandejas a mesa aos poucos se transfigura nas suas melhores memórias de almoço, nas mais felizes, nas situações mais diversas, e todo o seu desejo culinário é realizado, você come de se entupir e não se sacia nunca, mas tudo bem, o gosto está maravilhoso mesmo.

Após o tempo que for que você levou no almoço, o garçom lhe trás a janta, seguindo o mesmo padrão das outras duas refeições, infinita em sabor e quantia, mas sem lhe encher o estômago.

Segue-se, por fim, a ceia e, finalizando, uma rodada final de tudo do que você mais ama comer na vida. Ao dar a última garfada antes de se entediar com a maravilhosa refeição, finalmente você se sente satisfeito. O garçom retorna e lhe pergunta se é tudo, se não deseja ficar mais tempo, mesmo tendo ficado por ali já horas, dias, ou até semanas, como preferir, e segue o mesmo padrão, lhe pergunta muitas vezes até ter certeza que você quer mesmo ir embora e quer pagar a conta.

Feliz como nunca esteve antes em sua vida, se sentindo revigorado e refeito, pronto pra enfrentar qualquer demônio que aparecesse dali pra frente após ser tão bem tratado, levando em conta a vida miserável que esteve levando nos últimos tempos, você, satisfeito, paga a conta sem reclamar.

Um prato de serragem com água.

Você come e é exatamente isso, serragem e água, sem sabor, sem apelo, só serragem seca e água.

Ao terminar o prato você se sente empanturrado. Cheio como nunca antes.

O garçom lhe agradece a presença e quando você se sente preparado, se levanta e vai até a saída. O recepcionista lhe agradece e agora você nota como ele o o garçom parecem ser irmãos.

Quando olha para trás pra tentar ver o restaurante mais uma vez, nada mais existe. Simplesmente evaporou. Então, sem questionar as esquisitices da noite, você se vira e quando pisca os olhos está em sua cama, olhando para o teto, e então dorme.

No dia seguinte segue para sua rotina diária e vai tomar seu café, comer seu cereal, seja lá o que for, e, o menos esperado lhe acontece. Um medo terrível vai tomando conta de você. O gosto é exatamente o último que você provou. Serragem. Até a água. Cada sabor se tornou serragem.

Você corre de bar em bar, restaurante em restaurante, comendo como um louco, sem fome, mas sem se saciar, e sentindo o terrível gosto da serragem em cada mordida de cada prato diferente.

Por dias a fio você vive nesse desespero, sem fome, com vontade de comer para sentir sabor e sem se saciar, com gosto de serragem em tudo. O sal não ajuda, nem molhos, eles também tem o terrível sabor. Absolutamente tudo.

Então você desiste, não vê saída para a atual situação.

Alguns se matam em dias, outros passam o resto da vida tentando voltar para o restaurante repetindo o processo do pão e da água e do isolamento mas tudo que conseguem é mais desespero. Não há volta.

Você provou a melhor refeição de sua vida, o quanto quis e o quanto pode. Foi avisado do preço e o pagou consciente e satisfeito.

Se lembrando ainda daquela noite você vasculha suas roupas que foram usadas para lavá-las e em um dos bolsos encontra aquele papel branco vazio que o recepcionista lhe entregara. Ao virá-lo uma simples mensagem em letras pretas e cordiais informam:

"Satisfação garantida, não realizamos devoluções."

Corpo seco

Á ultima casa da rua escondia um mistério, era muito estranha e depois que o pai e a mãe do homem que ainda vivia lá tinham morrido tudo tinha se transformado em um lugar sombrio, as plantas já não tinham vidas, pareciam secas, sem folhas, pássaros e outros animais não circulavam por perto dela.
As noites eram longas, os gritos de agonia deixavam todos na vizinhança acordados, ninguém se arriscava a ir lá saber o que estava acontecendo, sabiam que aquele homem era maldoso, era o responsável pela morte da mãe e do pai, tinha causado desgosto e os maltratou até a morte.
Em uma noite fria e chuvosa os gritos cessaram não se ouvia nada, foi à noite mais tranquila dos últimos anos. No dia seguinte os vizinhos desconfiaram, a movimentação na casa parou, mas ninguém tinha coragem de entrar e descobrir o que tinha acontecido.
O silêncio foi tomando conta, não se ouvia qualquer barulho que chamasse atenção, os vizinhos não tinham mais desculpa, tinham que saber o que aconteceu naquela velha casa sombria. José Alves e Luiz Gomez decidiram entrar para verificar e dar uma reposta aos vizinhos que já estavam aflitos com a situação.
Depois de vasculharem toda casa encontram o homem morto, pelo estado do corpo parecia que tinha sofrido muito, a posição do corpo era de quem tinha agoniada por muito tempo com dores ou um demônio se empoçando de sua alma.


Apesar de sua história de maldade os vizinhos em consideração aos seus pais foram enterrar o corpo, uma discussão foi feita e a população da pequena cidade não queria aquele defunto enterrado no cemitério aonde seus familiares já se encontravam, a única solução seria enterrá-lo debaixo da grande árvore próximo a sua casa, a qual já se encontrava totalmente seca, sua imagem era atemorizante, seus galhos secos em noites de lua cheia formavam figuras que assustava todo mundo que passava por perto por se tratar de um caminho que dava acesso à pequena rua da cidade.
Em um fim de tarde isso foi feito o enterro, poucas pessoas acompanharam, depois da ultima pá de terra jogada em sua cova embaixo da grande árvore seca um raio cortou o céu como se pronunciasse um temporal, mas as nuvens não estavam carregadas.
Na mesma noite alguns moradores ficaram obsevando se alguma coisa poderia acontecer, pois os raios ficaram frequentes e isso deixou muitos desconfiados, pois seria uma coincidência depois de um dia tranquilo o tempo mudar de uma hora para outra, mas nada aconteceu de anormal.
Depois de vinte e um dias um filete pequeno de névoa formava-se em um espectro enquanto saia da cova ganhando altura até os galhos secos da velha árvore, depois ganhou o céu e sumiu entre as nuvens escuras, o mesmo vento que a levou a trouxe de volta, o céu tinha rejeitado aquela pobre alma, sua maldade na terra tinha sido tão grande que foi recusado.
A terra em volta da grande árvore seca se estremeceu, o céu ganhou uma cor tenebrosa, uma leve chuva começou a cair seguida de raios e trovões assustadores.
O espectro agora viajava para as profundezas do inferno percorrendo um caminho longo, não demorou muito e novamente a terra se estremeceu em volta da velha árvore seca.
O inferno também rejeitou aquela alma, o diabo não queria concorrente em seu território sabendo das maldades do homem que tinha causado a morte do pai e da mãe.
A terra em volta da grande árvore seca novamente se estremeceu, agora com mais intensidade, numa reação estranha começou a se revirar, como se tentasse expulsar algo de sua profundidade. Não demorou muito um corpo começou a sair até ser expulso em sua totalidade.
Numa reação espontânea, todo tempo mudou, o céu escureceu e ficou carregado, os raios intermitentes ganharam o céu e riscavam a escuridão clareando alguns pontos. Em cada raio a grande árvore ganhava uma forma assustadora revelada pela luz, a terra em sua volta parecia viva.
O tempo de repente parou tudo em volta ficou em silêncio, as nuvens carregadas pararam no céu, a chuva cessou os raios também cessaram. Em meio à terra toda remexida um corpo começa a se erguer até ficar de pé e em um clamor penoso falou:
- Por que estou vivo, olha meu corpo todo em decomposição, todo seco. – Fui rejeitado no céu, o inferno também me rejeitou e até a terra não quis me decompor, por que isso estar acontecendo comigo. – Diz o Corpo Seco em um tom de voz penoso.
- Tua alma estar condenada, tua maldade foi muito grande, mataste teus pais, isso é uma coisa que nem o diabo fez como poderia receber uma alma tão má. – Diz uma voz que desce do céu.
- E agora como vai ser a terra também rejeitou meu corpo, minha carne não apodreceu, ficou seco, o que vou fazer. – Diz Corpo Seco tentando uma resposta.
- Você vagará pela terra e pagará pelos seus pecados, a partir desse momento você não pertencerá a nenhum de nós, os quatro elementos não serão responsáveis por sua decomposição e apenas outro ser que renasceu após a morte poderá te destruir. – Diz a voz vinda do céu explicando sua sina como zumbi seco vagante na terra.
Em uma reação de raiva e ódio Corpo Seco se ajoelha embaixo da grande árvore seca e emite um grito que ecoa por todos os cantos anunciando sua ira.
A cena é arrepiante, uma noite fria, o céu carregado, raios coindo do firmamento cortando a escuridão enquanto suas luzes formam figuras assombrosas em contraste com os galhos da velha árvore que parece ter vida.



Em um aspecto tenebroso Corpo Seco se aproxima da velha árvore e a circula marcando lugar o qual aguardará suas vítimas se aproximar ou passaram pelo caminho para sugar seu sangue e os transformarem em corpos secos com a sua semelhança e maldade.

Desconhecendo os perigos da noite três jovens com uma garrafa de bebida passando de um para o outro enquanto dar um golo e em suas mãos um cigarro de maconha que tragado ilumina a noite revelando sua localização se aproxima da grande árvore seca.
O mais drogado observa a grande árvore e fala:
- O que essa velha árvore estar fazendo aqui, não tem folha, não dar frutos, só tem esses galhos secos, não serve para nada, vamos tocar fogo em seu tronco para vê-la cair. – Diz sorrindo.
- É mesmo, vamos tocar fogo nela, não serve pra nada. – Diz o outro drogado sorrindo com euforia.
- Vamos juntar uns gravetos pra o fogo pegar melhor. – Diz o outro empolgado com a ideia.
Quando um dos drogados começa a pegar os gravetos sente um peso enorme em suas costas, como se começasse a carregar outro corpo. Nesse instante um fedor de carne podre começa a tomar conto do lugar, Corpo Seco sem piedade consome seu sangue deixando-o a sua semelhança.
Isso acontece um por um sem que tivessem qualquer reação, naquele momento uma legião começaria a ser formado por zumbis de corpos secos liderados pelo a pior alma conhecida até aquele momento, o assassino algoz de seus pais, agora denominado Corpo Seco.

Jogo do espelho

Eles estão sempre te observando, estudando cada um dos seus movimentos. Quem são eles, você pergunta? Os reflexos, ora. Eles gostam de jogar jogos. E que tipo de jogos eles gostam de jogar? Bem, isso depende de como você reage ao vê-los. Por exemplo, se você os encara feliz e entusiasmado ao encontrá-los, você vai acabar jogando um jogo alegre e agradável. Talvez pega-pega ou uma partida amigável de esconde-esconde. Jogos dos quais nós já estamos familiarizados. No entanto, se você se atrever a cumprimentá-los com medo ou com nojo, você vai ter que jogar um dos seus jogos. Com estes jogos você vai ficar menos entusiasmado em os jogar, para dizer o mínimo.

O jogo que eles mais frequentemente escolhem é uma espécie de jogo de memória. Ou melhor, é um jogo de memória. Eles sabem tudo sobre você. Seu nome, seu primeiro amor, até mesmo o que você comeu no café da manhã há três anos atrás. Eles nunca se esquecem. O jogo consiste em recordar certos acontecimentos da sua vida. Seu trabalho é recordar e citar, pelo menos, uma observação a partir do referido evento. Se você acertar, parabéns! Você ganhou! O jogo acaba e você está livre para ir. No entanto, se você não conseguir lembrar de uma observação a partir do referido evento, ou não conseguir se lembrar do evento em questão, você perde. E então, você vai trocar de lugar com eles.

Você vai se tornar o reflexo, e o reflexo se tornará você. Você vai viver a partir daquele momento apenas para estudá-los, observá-los e se lembrar de cada um de seus passos. E quando eles vierem te cumprimentar, eles não possuirão as memórias de quando eram o reflexo. Suas memórias antigas são agora são suas e vice-versa. E então? Você quer saber como encontrar um deles? É bem simples, na verdade. Os espelhos estão por toda parte. Eles são o seu reflexo, sua sombra, e se existir qualquer coisa que parece estar imitando você, são eles. Tudo o que você precisa fazer é cumprimentá-los.