sábado, 27 de dezembro de 2014

a ponte tangi

Ele nem sempre os via saltar, mas o som da morte era inevitável. Alguns gritavam durante a queda; outros caiam em um silêncio digno. Mas as vidas sempre terminavam da mesma forma: Com um revoltante e doentio splash.

Alguns optaram por ir até sozinho, mas a maioria era grato por sua presença em suas horas finais. Alguns conversavam sobre toda sua vida até ali, embora muitos outros se contentaram em simplesmente sentar-se calmamente ao lado dele até o amanhecer. Então, depois de firmarem-se os nervos, escutam o ultimo rangido e se lançam da ponte de madeira à água abaixo.

Ele tinha dito para nunca assistir, mas ele sempre fazia. Como não assistir? Era o mínimo que ele poderia fazer, ele sentia que era seu dever estar com eles nesses ultimos momentos fugazes, para que eles soubessem que não estavam sozinhos e que alguém se lembraria deles.

Os que realmente aceitavam esse destino iam sem medo. Esses eram os mais afortunados, sua calma e serenidade ajudava-os lembrar do que tinha aprendido na escola. Aprendiam que se algum deles fosse convocado, a forma ideal para saltar na obliquidade ideal para a morte mais rápida e menos dolorosa.

Os que gritavam sofriam mais.

Eles frequentemente se debatiam na queda, agitando a água, batendo nas pedras, caindo em um ângulo estranho e quebrando a maioria de seus ossos estruturais. O instinto de sobrevivência os fazia mergulhar em pânico, impotente e com os membros quebrados.

Se eles sucumbiam à água fria ou lesões, eventualmente se acalmavam já sem vida, com o corpo flutuando em poças dissipada de vinho enquanto o rio varria seus corpos ao mar.

Ele tinha visto um número suficiente de saltadores ao longo dos anos para saber que caminho ele preferiria ir. Eles recebiam cartas anônimas, dizendo que eles eram o escolhido da vez para saltar.

O turno da noite era o pior. Proibidos de se despedirem de seus familiares e amigos, a maioria os saltadores optaram por deixar no meio da noite, enquanto o restante da cidade ainda estava perdido em seus sonos inquietos.

Não havia uma família entre eles que não passavam os meses de gestação em preocupação constante, e o silêncio impediam angustiantes despedidas emocionais, como poderia criar ondas de dúvidas nessa lei da cidade em que para haver alimentos para todos, a cada nascimento alguém tinha que tirar a própria vida em bem da comunidade. Dessa forma, no momento que a manhã chegava, já era tarde demais.

Seu/sua amada já tinha ido embora.

Os saltadores escolhidos para tirar a própria vida eram heróis desconhecidos da sua ilha pequena e isolada de meios limitados, a honra dos escolhidos duravam pouco, por isso a maioria se tornava nada mais do que fantasmas da Ponte Tangi que todos esperavam esquecer.

Ele se lembrava de todos eles; alguns com mais clareza do que outros, mas cada rosto, cada nome, cada desfecho que ele tinha compartilhado estava com ele enquanto ele patrulhava a ponte longa e tranquila nesta noite fria e turva.

Sua lanterna era mais do que tudo inútil, uma vez que lançam um brilho dispersado sobre o nevoeiro que pairava no espaço entre os drifts niveous, e a meia-noite já tinha passado pelo tempo que ele viu um vislumbre de um leve rastro de pegadas minúsculas que foram sumindo na neve.

Ele seguiu solenemente.

Uma forma escura começou a tomar forma na névoa

Uma forma escura começou a tomar forma na névoa, e ele foi capaz de discernir a figura suave de uma jovem mulher, com suas longas saias espessas com anáguas, olhando para baixo através da água.

-Olá - disse ele - Você está bem?

Ela tinha um sorriso gentil e havia bondade em seus olhos.

Eles passaram horas juntos, passeando de braços dados na neve brilhante, conversando e rindo como se tivessem se conhecido a vida inteira, como se fosse à coisa mais natural do mundo estar na ponte juntos esta noite - como se eles não estavam simplesmente passando o tempo até sua morte.

A chegada da aurora na manhã seguinte foi especialmente cruel.

Mas não havia nada a ser feito.

Ele segurou sua mão enluvada, delicada e tremendo, enquanto ela levantou seus saiotes na altura do joelho e subiu por cima do corrimão. Seus pés pendiam lá por um momento antes de ela deslizar para o outro lado, tremendo, os olhos intensamente fixo na queda d’água abaixo que te espera.

Seu pulso acelerou, com a garganta apertando pouco ar em seus pulmões.  Ele inclinou-se envolvendo-a em seus braços. – Me prometa que não vai gritar – disse ele, sua voz suou mais como um sussurro.

Ele sentiu um pequeno aceno de cabeça. – Eu não – Ela se virou para encará-lo. Sua pequena mão confiante se tornou mole, com o cabelo liso como seda soprando suavemente no frio do vento cortante.

Ela estava tremendo agora.



Eles olharam para dentro dos olhos um do outro, cada um tentando viver uma vida naquele momento.

Ele abaixou a cabeça em reverência e apertou os lábios em cada uma de suas mãos antes de deixa-la ir.

A lei era a lei. Mas, pela primeira vez na vida, percebeu o quanto era injusta.

aniversario com os freddy's

Você sabe, os pais estão sempre encontrando novas maneiras de entreter ou enriquecer a criatividade de seus filhos. De fato, os primeiros anos são os mais importantes na vida de uma criança quando se trata de desenvolver sua mente jovem. Comigo não foi diferente.
Minha mãe sempre me levava aos fliperamas se eu me comportasse em casa e na escola, eu adorava passar algumas horas me divertindo lá. Ela também me levava aos parques com playgrounds onde eu levava algumas broncas por sujar minhas roupas. Não havia muitas variedades de lugares onde eu brincava, mas os que tinham são onde eu tenho minhas melhores lembranças. 

No meu aniversário de sete anos, minha mãe me levou para comemorar no Freddy Fazbear Pizzaria. Era para ser um lugar divertido, pelo que me lembro: Um lugar mágico para as crianças e também adultos, onde a fantasia e a diversão ganhava vida, ou algo parecido. Parecia uma ideia divertida, eu estaria mentindo se eu dissesse que não estava animado em ir para lá.

A pizza de lá era como você imaginaria: pedaços pequenos, sem muito recheio. Mas ninguém ia lá pela comida, íamos para ver Freddy Fazbear e sua turma de amigos coloridos, Bonnie o coelho e 
Chica a galinha. Também tinha o Foxy, ele ficava na separado dos outros em um cenário pirata. 

Relembrando nisso agora, devo confessar que os animatronics já eram muito bons naquela época. Eles tinham movimentos no corpo inteiro quando cantavam no palco e até mesmo o Foxy faziam outros poucos movimentos sobre seu pequeno navio pirata. Na verdade, eu me lembro de que depois que eles cantavam algumas músicas, Feddy e seus amigos vinham do palco e caminhava pela pizzaria, interagindo com as crianças.

Andavam até as crianças e diziam coisas como: “Como está a pizza? Uma delicia eu aposto” ou “Vocês estão se divertindo? Eu sei que estão.” Eu me lembro de que o Foxy sempre dizia: “Sou eu! E eu vou te pegar!” era divertido.

Para manter as crianças entretidas, havia algumas brincadeiras que eles faziam, como “Siga o Freddy”, que era apenas o “Siga o líder” ou “A caça ao tesouro de Foxy”, onde as crianças recebiam pistas de pequenos brinquedos escondidos pela pizzaria e enquanto caçávamos o Foxy nos perseguia como um jogo de pega-pega.

Eu me lembro de que eu tinha terminado meu pedaço de pizza e perguntei se eu poderia brincar de A Caça ao Tesouro com Foxy. Minha mãe disse que estava tudo bem, então eu me levantei e um dos funcionários me deu um pequeno mapa do tesouro. Eu estava realmente animado; Foxy era meu favorito.

Eu e cerca de outras seis crianças recebemos nossos pequenos tesouros, e foi quando o Foxy saiu do barril pirata. Ele gritou “Sou eu! E eu vou te pegar!” E foi ai que tudo ficou embaralhado.

Foi muito divertido – Olhei por cima do meu ombro e vi Foxy perseguindo outras crianças, em um momento, ele mesmo quase me pegou. Cara, Foxy era rápido.

 
* * * *

 
Eu não sei bem por que, mas enquanto estávamos no meio da brincadeira de caça ao tesouro, minha mãe me puxou abruptamente e me levou rapidamente em direção à saída.

Ela disse coisas como: “Nós temos que sair daqui agora” e “Nós nunca deveríamos ter vindo aqui!” 

Eu nunca tinha ouvido tanta urgência em sua voz antes. Eu pensei que fosse porque algum garoto começou a chorar quando Foxy o pegou. Ele estava gritando bem alto e começou a chorar. 

Lembro-me que um grupo de pais correu; Havia todos os tipos de barulhos e ruídos, mas eu estava muito ocupado me divertindo para perceber que algo estava errado.

Mas agora pensando nisso, lembro-me que quando minha mãe me levou para a saída, vi Foxy em pé sobre o corpo do garoto que ele havia pegado. Ele estava olhando para mim, com gotejamento do líquido carmesim em seus dentes afiados.

-Sou Eu! E eu vou te pegar!

Cueio


O relato a seguir foi me enviado por um amigo hacker, conhecido na inter web como Cop. Não tenho noticias dele já faz um tempo.

Eu costumo hackear sites, roubar templates das páginas, descriptografar códigos e depois vender para outros hackers, que se rotulam profissionais, mas não quero entrar nesses detalhes desnecessários, eles nem sequer estão relacionados com a história. Eu só que entendam que ganho a vida com isso, hackear é uma arte e assim eu me considero um “Picasso”.

 No dia 1 de abril de 2014 eu decidi trollar alguns youtubers roubando suas senhas, lendo alguns e-mails pessoais e quem sabe assistir algum vídeo privado inédito antes que qualquer outro. Eu comecei minha diversão roubando várias contas de amigos e trocando suas senhas, mas salvando tudo no bloco de notas para devolver para eles no dia seguinte.

Mas eu não estava satisfeito, queria hackear um youtubers grande o suficiente para dar um susto, mas não tão grande a ponto dele querer me processar por algum crime virtual.

Eu me arrependo dessa minha pequena ambição. Inferno!

Depois de analisar os canais que sou inscrito, vi o do Gato Galáctico e pensei:
Esse canal é uma boa, não tem tantos inscritos e com certeza deve ter backup das animações.

Então coloquei meu programa e meus códigos em ação.

Eu descobri a senha dele, e é aqui que o inferno começa, porque era uma senha obscura e macabra, eu me perguntei por que alguém colocaria uma senha dessas...
Antes que você venha a comentar “Qual era a senha?” Me desculpe, para a minha e para sua segurança é melhor não querer saber, e é obvio que ele já deve ter alterado.

Continuando... Eu estava com a conta dele em minhas mãos. Eu poderia apagar o canal dele a qualquer momento, mas primeiro decidi procurar algum vídeo privado.

Eu achei um vídeo.

O título era: “A verdade – Cueio 666”

Eu fiquei desconfortável, aquele clima de mistério. Pensei que fosse um episódio especial para o Halloween que já estava preparado, mas eu estava errado.

O episódio começa com uma tela preta sob o efeito de estáticas como em filmes antigos. 
 Ficou assim por pouco mais de um minuto, e após esse minuto, comecei a ouvir um choro de criança ao fundo, parecia o choro daquele gordinho presente no começo dos episódios, Mas o choro era tão baixo que não dava para notar direito.

Depois de dois minutos, o episódio ficou “normal”, até o que parece. Cueio estava em uma maca hospitalar com a cabeça enfaixada em uma clinica veterinária. Ele parecia estar em coma. O choro ainda continuava, mas foi interrompido com o ruído de uma porta se abrindo, mas depois o choro voltou um pouco mais alto. Um garoto entra na sala junto com um veterinário, e o doutor pergunta ao garoto:

- Meu jovem, tem como você explicar o que aconteceu com seu “cuieo”?

- Eu estava deitado, na cama lendo um gibi, então ele conseguiu sair da gaiola, mas acontece que a gaiola dele fica no alto da estante, ai ele pulou e caiu de “cabeçi”... Ele vai ficar bem moço?

-Sim, Vai ficar tudo bem.

O médico foi pegar a lista de resultados dos exames.

-Pobre garoto, não sabe que esse cueio talvez nunca mais acorde.

De repente um flashback aconteceu, e começou o 1º episódio “Quero Aipim!”
 E foi assim por diante, até o Episódio 12º “Lembranças do Céu”, e no fim desse episódio mais um flashback aonde mostrava Cueio, na maca de barriga para cima, com a cabeça enfaixada, pra ser mais especifico, da testa pra cima, com alguns aparelhos conectados nele. Já era noite, até que eu comecei a escutar um beep contínuo, e o eletrocardiograma, mostrou que Cueio estava morto.

Após o vídeo acabar, apareceu a cara de Cueio num fundo preto, ele também estava preto com muito sangue. Eu tentava fechar a janela, mas ela não respondia até aparecer uma janela do Windows com um texto escrito em vermelho e de fundo preto... Estava escrito:

Agora que você sabe da verdade, não vou deixar você sair ileso dessa.
Meu computador desligou, mas enquanto a tela de “Encerrando” carregava, ficou de fundo a mesmo imagem do player só que vaco estava com a barriga aberta com suas tripas, preso na parede com uma faca na garganta, e o menino apenas enforcado, enquanto que o Cueio aparecia com um sorriso macabro, olhando direto pra tela. Bem, aliás, só aparecia a cara dele.

Quando meu computador desligou, eu logo tentei liga-lo novamente, mas deu tela azul.
Windows Failed. Naquele momento comecei a gritar, xinguei tudo, meu vizinho chamou a policia, já que em nossa cidade ocorrem muitos assaltos. Quando eu relaxei um pouco peguei meu celular e fui direto ao canal do Gato Galáctico e xinguei ele de tudo. 

Denunciei-o, mas como sempre não dá em nada...

Agora, Gato Galáctico, se você estiver lendo ou ouvindo essa historia, preste atenção seu maldito, se eu descobrir a sua localização, eu juro que te darei um soco no meio dessa sua cara, ou quem sabe uma facada na garganta, mas isso não importa...

Prova: https://twitter.com/OGatoGalactico/status/455763244003512320/photo/1

Os astronautas sao corajosos

á algo do outro lado da minha porta do quarto. Eu realmente não sei o que é, e eu estou muito assustado para ir e descobrir. E-e ele está sempre lá, também! Está sempre lá apenas em pé ou sentado, ou fazer o que ele faz, eu não sei! Tudo o que sei é que isso está do outro lado da minha porta do quarto, e ele está esperando por mim. Eu costumava a usar este tempo para ir ao banheiro antes de eu ir dormir, para não fazer xixi na cama, mas eu não posso mais fazer isso. Não com aquela coisa de sempre esperando por mim! Pelo que eu sei, é uma coisa poderia me matar ou algo assim. E eu sou muito jovem para morrer; Eu tenho apenas sete anos de idade. Eu quero ser um astronauta quando eu crescer, eu absolutamente não posso morrer!

Oh, mas eu realmente tenho que fazer xixi ... e minha mãe! E-Ela disse que se eu fizer xixi nas calças mais uma vez, ela não vai me deixar ir à viagem de campo para a NASA. O resto de toda a minha vida depende de eu ir nessa viagem de campo ... e, e eu sou um grande rapaz! N-Nenhum monstro vai me impedir de me tornar um astronauta. E, além disso, os astronautas são corajosos. Se eu for na lua, um dia, eu vou ter que ser capaz de combater todos os tipos de aliens lá em cima. Este pequeno monstro velho não será nada comparado com os aliens na lua.
Então, eu vou fazer isso! Eu vou sair da cama, e eu vou marchar até a minha porta, e eu vou lutar com o monstro estúpido, porque os astronautas são corajosos! E eu sou corajoso!

Astronautas ... são corajosos! Os astronautas são corajosos! Os astronautas são cora-----

Emily

Emily é uma garota corajosa. Ela sabe se defender e não faz o tipo ‘donzela em perigo’. Ela é engraçada, inteligente, agitada e alegre. Seu sorriso pode iluminar um quarto à noite. Ela é linda, mas isso não importa. Não importa que seja feia ou bonita, eu gostaria dela de qualquer jeito. Eu amo a Emily, caso você não tenha percebido.
O que ela tem de ruim? Nada! Inteligente, bonita, alegre. Tudo que eu queria. Ela também tem algumas manias. Às vezes ela dá um gritinho como se tivesse se assustado com alguma coisa. E quando ela realmente se assusta, fica com os olhos arregalados, e assim ela fica incrivelmente dez vezes mais bonita. É adorável. Ela parece tão inocente assim.
Emily é sempre muito corajosa pela manhã, mas... à noite é quando eu percebo o qual vulnerável ela realmente é. Emily adora ler, assim como eu, e às vezes, quando fica muito tarde, ela costuma sentar na sala e ler um livro usando apenas a luz do celular. Não me pergunte por qual razão ela faz isso, é estranho, porém a parte que mais gosto é quando ela volta para o quarto.
Ela passa pelo corredor completamente escuro. Claro que ela usa a luz do celular, mas não adianta muita coisa. É nesse momento que aposto que várias imagens de monstros devem estar passando pela mente dela. Monstros que podem agarra-la e afasta-la da família para sempre.
Então ela passa correndo direto para a cama. Ela da uma risadinha enquanto usa a luz do celular para checar se não há algo anormal embaixo da cama, provavelmente se achando uma tola por estar com medo e pensando besteiras. Ela liga o iPod e dorme tranquilamente, esquecendo de todos os pensamentos que a fizeram sentir medo antes de se deitar.
Enquanto Emily dorme, eu continuo acordado. Emily acha que monstros podem ataca-la a qualquer momento no escuro, mas ela esta errada. Emily pensa que são coisas apenas de sua imaginação... mas está errada outra vez. Quando ela cai no sono eu deito carinhosamente ao seu lado. Enquanto esta dormindo, ela não se arrepia quando me aproximo para apreciar seu belo rosto. Nesse momento eu imagino como seria poder envelhecer ao lado dela.
Eu a admiro pelo que parece uma eternidade. Meu Deus! Ela é tão linda! Eu a beijo. Ela não acorda, ela não se assusta. Ela continua dormindo. Fecho meus olhos, sentindo seu calor humano. Por um breve momento, quase me sinto… vivo.

  Mas apenas por pouco tempo, e quando abro meus olhos e abafo o choro do meu coração, percebo que nunca poderei sentar com Emily em uma praia, olhando o mar e segurando a sua delicada mão.
Saio da cama e reajusto seus cobertores. Olho para ela mais uma vez. Ela é realmente linda.
Sempre amarei a Emily. Mesmo que ela se assuste com a minha sombra, mesmo quando ela finge que não me vê no escuro, mesmo quando ela tem pesadelos comigo, mesmo quando ela abre os olhos para me ver.
Mesmo quando ela grita.

Profeta risonho a origem

Meu nome é Edgar. Edgar Macedo. Tenho 14 anos, moro em Florianópolis, Santa Catarina. Esse é o meu primeiro diário, então eu não sei muito bem como escrever essas coisas.
 Enfim, estou escrevendo isso no computador por que é mais rápido, e escrever à mão é simplesmente um saco. Eu não sei muito bem como diários funcionam, se eu não me engano eu devo escrever como foi meu dia. Na verdade, não foi nada demais. Minha vida anda a mesma merda de sempre: estudo e vídeo-game. A da minha irmã que está ficando louca. Ela já tem dezesseis, e em breve estará no terceiro ano do ensino médio, o que dizem que é o ano mais corrido e estressante da escola.
 Meus pais andam, como sempre, bem distantes, trabalhando o dia inteiro. É meio chato passar o dia sozinho... quer dizer, meus pais sempre foram bem distantes, e não reclamo por isso. Afinal, se eles não trabalhassem tanto, não teríamos toda essa condição financeira que temos hoje. Digo mais pela minha irmã mesmo. Antigamente éramos muito próximos, brincávamos o dia todo. Nunca lembro de termos brigado uma única vez. Mas nos últimos tempos ela passa o dia trancada no quarto. Segundo ela, ela passa o dia lá estudando. Mas eu sei que não é isso. Anna está entrando em depressão. Ela estuda muito para passar pro curso de medicina, mas por algum motivo pensa que não será capaz. Talvez seja a enorme pressão sobre ela, não sei. Só sei que ela passa o dia trancada no quarto, chorando.
E nos fins de semana, quando ela finalmente sai do quarto, ela quase não fala comigo: vai visitar Daniel, seu melhor, e provavelmente único amigo. Eu tenho medo daquele rapaz. É um ano mais velho do que ela. Tem a pele morena, olheiras profundas, e sempre está com uma feição cansada. Conheci ele ano passado. Apesar de à primeira vista meter medo em qualquer um, ele é realmente bem inteligente. Escreve poemas belíssimos, e está sempre lendo algum livro de literatura clássica. Mais recentemente, vi que estava lendo “Crime e Castigo” de algum autor russo cujo nome é impronunciável.
Acho que é basicamente isso. Já são quase meia noite e eu realmente preciso dormir. Amanhã tenho uma prova de química.

12 de abril de 2013
Provas, provas, e mais provas. Não que eu esteja reclamando, elas não são difíceis, eu sempre tive facilidade em aprender. Mas é que a vida anda muito cinza. É quase como se o tempo tivesse parado. Nada acontece. Nada nunca vai acontecer. É todo dia essa mesma merda de rotina. Já estou de saco cheio de tudo isso, sinceramente.

23 de abril de 2013
Aconteceu algo estranho hoje.
Eu estava voltando da escola à pé, sozinho (como sempre). O dia estava meio nublado, e levemente mais frio do que o normal.
Quando passava pela rua que fica um quarteirão antes da minha, passei pela frente da casa do Daniel. Estava tudo escura lá dentro, mas não foi isso que me assustou. Ele não tem irmãos, e assim como eu, seus pais passam o dia inteiro fora de casa, trabalhando, e ele fica trancado no seu quarto, em meio aos seus livros.
O que me prendeu a atenção, é que ao lado da casa, parado, estava um homem muito alto, magro, com braços e pernas grandes, inclinado sobre uma janela, como se estivesse observando algo lá dentro.
De longe não pude ver o rosto dele. Sei que não era o pai de Daniel, pois o conheço muito bem. Seja quem for aquele homem, não era um conhecido, e com certeza não era bem vindo ali, pois parecia estar à espreita, como se não quisesse ser percebido.
Fiquei uns quinze segundos ali, observando o homem. Pareceram horas. Até que ele pareceu perceber a minha presença e virou para mim. Não sei como nem por que, uma onda forte de medo percorreu meu corpo, como uma descarga elétrica, e antes que pudesse perceber, me vi correndo em direção à minha casa, sem ao menos olhar para trás.
Estou aqui no quarto até agora com medo de olhar pela janela. Algo me diz que aquele homem ainda está rondando o bairro.

4 de maio de 2013

Cara, Anna tá muito fodida.
Essa madrugada eu estava dormindo quando acordei de madrugada com um barulho que vinha do quarto ao lado. Me levantei e fui silenciosamente até a porta do quarto da minha irmã. Eu podia ouvir vozes lá dentro. Ela estava conversando com alguém. Abri a porta de súbito e encontrei-a sentada na cama. Sentado à sua frente estava Daniel. Ele me olhou com uma cara assustada. Eu me assustei também e dei um grito, que acordou nossos pais. Eles saíram do quarto deles à tempo de ver Daniel fugindo pela janela.
A Anna levou uma bronca e agora está de castigo. Eu sabia que eles estavam namorando. Mas não sabia que já haviam chegado nesse ponto. A Anna tentou se explicar, disse que ele estava com medo de dormir sozinho, que os pais haviam viajado, e outras coisas do tipo, mas não colou. Ninguém acreditou.
Me sinto mal por ela. Pelo Daniel também. Os dois parecem ser muito solitários, é quase como só tivessem um ao outro, e agora foram proibidos de se ver... espero que esse castigo passe rápido.

2 de junho de 2013
A casa caiu. Daniel desapareceu. A família dele está desesperada. Ninguém sabe o que realmente aconteceu, ele simplesmente sumiu, sem deixar vestígios. No seu quarto não encontraram nada de anormal além de uma grande quantidade de poemas espalhados pelas gavetas.
Anna está desolada. Passa o dia chorando baixinho. Me sinto triste por ela. Tento confortá-la e dizer que está tudo bem, mas sei que não é verdade. Algo me diz que tem a ver com aquele homem de terno que vi há dois meses atrás. Tenho quase certeza que foi por causa dele.

6 de junho de 2013
Acho que estou ficando louco.
Ando pensando muito em Daniel e na tristeza da minha irmã, e acho que a culpa está me consumindo. Acordo de madrugada ouvindo a voz dele chamando o nome dela pela janela. Vejo vultos no jardim e no quintal durante a noite, e posso jurar que vi o rosto dele me observando pela janela de noite. Mas é tudo coisa da minha cabeça. Se não fosse por mim ela teria passado os últimos momentos junto dele. Não sei o que fazer, minha tristeza só aumenta. Anna já não fala mais comigo. Não fala com ninguém.
Ela começou a escrever poemas também, todos sombrios como os de Daniel, talvez seja por conta da saudade.
Espero que dias melhores estejam por vir.

16 de junho de 2013
Estava lendo uns poemas escritos pela minha irmã ontem, e teve um que me chamou a atenção. Minha irmã escreve muito bem, mas aquele poema estava além das habilidades dela de escrita. Era muito mais metrificado, muito mais carregado de sentimentos. Mas não foi só a qualidade que me chamou a atenção: foi a letra. Não era a letra dela. Era uma letra mais bruta, menos trabalhada, quase num garrancho. Sem dúvida era a letra de Daniel. Porém o que eu estranhei, foi que a poesia parece ter sido escrita recentemente. Eu nunca a vi antes... como se... não, não pode ser. Simplesmente não pode.
Apesar de tudo, é uma poesia belíssima. Irei transcrevê-la agora para cá:

“O Observador Noturno

Abre-te lábios em ímpeto sorriso
Por entre faces que de súbito abandona
Dir-te-ei que me trancaste em paraíso
Por tua alma repousada que ressona

Por tantos mares que corres inconsciente
De fantasias vivo, voa e me abandona
E por abismos que me perco em tua mente
Por tenro modo sou, de todo, levado à tona

E me imagino onde voas nesse instante...
Salgados mares de repouso, calmaria
E pela janela sinto chegar novo dia

E quando despertas já estou tão, tão distante...
Comigo levo minhas lembranças, meu açoite
E tenho a esperança de te ver mais esta noite”

Estava guardado na gaveta do criado-mudo de Anna.

24 de junho de 2013
Ontem de madrugada, levantei para tomar um copo d’água, e ao passar na frente do quarto da minha irmã, algo me disse para abrir a porta. Gelei. Não queria abrir, e queria ao mesmo tempo. Entre o medo e o impulso, girei a maçaneta e adentrei o cubículo onde minha irmã ressonava baixinho embaixo das cobertas.
Ao lado da cama dela havia uma figura parada. Era alto, usava um casaco preto. Encapuzado. Uma máscara branca cobria seu rosto. Uma máscara bizarra, com um sorriso preto pintado na boca, um círculo com um X no meio pintado na testa,  e uma gota preta de lágrima de tinta escorrendo de um dos olhos. Tentei gritar, mas o som não saía. Fiquei gelado no lugar, e a figura olhou em minha direção, calmamente. Não sabia o que fazer. Havia esquecido de gritar, de respirar, de fazer qualquer coisa. A figura mascarada tirou a máscara, e revelou-se como Daniel. Estava com uma aparência bem mais cansada, quase que como num transe. Ele me fitava calmamente, como que esperando que eu fizesse alguma coisa. Eu não movi um músculo. Depois de alguns segundos, seus lábios formaram um sorriso malicioso. Ele pôs o dedo indicador na boca, pedindo silêncio, e...
Acordei na minha cama pela manhã. Eu juro que não foi um sonho. Não pode ter sido. Foi muito real...
Estou confuso. Não sei o que pensar.

25 de junho de 2013
Não foi um sonho. Droga. Merda. Caralho.
Acordei lá pras cinco da manhã hoje e desci para tomar café, quando vi a porta da casa aberta. Corri para fechá-la, mas então parei. No jardim, vi Anna abraçando alguém. Era Daniel. Por cima do ombro dela ele me lançou o mesmo sorriso zombeteiro da noite anterior. Após alguns instantes, os dois se afastaram, e ele colocou sua máscara horrenda no rosto e se afastou vagarosamente. Lá longe pude ver o homem alto de terno parado entre as árvores, como que estivesse esperando por Daniel. Mais uma vez não pude ver seu rosto. Simplesmente olhar para aquela figura fez a onda de terror se espalhar pelo meu corpo de novo. Tive que ficar olhando para baixo.
Vi então Anna se aproximando. Os ventos frios da manhã dançavam no cabelo comprido e escuro da minha irmã, e nutriam seus olhos verdes e tristes. Ficamos nos observando em silêncio por um tempo, até que ela entrou em casa.
Ela não quis falar muito sobre o que houve, mas sei de uma coisa: Daniel está com sérios problemas, e tem a ver com aquele homem de terno. Parece que Daniel está preso a ele por algum motivo, e está cometendo coisas terríveis.
Isso me deixa nervoso. Daniel está visitando nossa casa durante as noites. Isso não é nada bom. Ainda mais com aquele homem de terno por perto dele.

12 de julho de 2013
As noites estão cada vez mais frias. O céu está cada vez mais escuro. A vida está cada vez mais morta.
A infelicidade paira sob nossa família, aparentemente sem motivo algum. Anna já não é mais a mesma, é só solidão e lamentos. Ela sente falta de Daniel, como se ele fosse uma parte da sua alma que estivesse faltando.
Eu não sei mais o que fazer. Sinto que algo terrível está se aproximando da nossa vida.

14 de julho de 2013
Anna sumiu. Isso é o que todos estão dizendo. Eu sei que não é isso. Ela não sumiu. Ela nos deixou. Foi para junto de Daniel.
A culpa me consome. Eu sei que eu podia ter feito algo por ela. Droga, por que eu sou tão burro? Por que eu sou tão incompetente?

16 de junho de 2014
Já faz quase um ano que eu não vejo a minha irmã. Estou me tornando o que ela era: um eremita desgraçado que passa os dias trancado no quarto, desolado, considerando opções do que minha vida poderia ter sido se eu não tivesse falhado lá atrás. Culpa... essa puta maldita chamada Culpa me consome todos os dias... me rasga, me mastiga, me cospe no chão e me desola. Viver já não tem mais sentido. O que eu mais quero é que minha alma seja sugada pras profundezas e eu seja punido por tudo o que eu podia ter feito mas não fiz.
Minha irmã... me perdoe por ter falhado com você... quando você mais precisava de mim eu fui incompetente, não soube o que fazer... eu era somente uma criança...
Mas eu ainda sou uma criança. Tenho só quinze anos. E o tempo não é algo que se pode voltar. Foram embora os dias em que eu sorria. Ficaram as lágrimas... O remorso...
Recebi uma carta na beira da minha janela há uns quinze minutos. É a letra dela. É a letra de Anna Karenina. É a letra de minha irmã.

“Ele conseguiu. Não somos mais escravos do homem alto. Agora eu irei aprender a profetizar a vida, e a ditar a morte. Sairemos para purificar esta noite. Fique sabendo que pessoas irão morrer na cidade.”

Não sei o que isso quer dizer, mas sem dúvida é a letra da minha irmã. Saber que ela está viva me conforta. Mas o que ela escreveu revela seu estado de sanidade mental. E eu volto ao remorso.

18 de junho de 2014
Estou com medo. Recebi um e-mail hoje do endereço de Anna, mas não era ela que havia escrito. Veio somente um arquivo de áudio. Abri e escutei. Uma voz muito distorcida narrou o seguinte:

“São duas e cinquenta e dois da manhã. Faz frio. Eu estou te vendo. Faz frio, mas eu aguento. Não sei quanto tempo vai passar até que chegue o dia da sua purificação, mas quando isso acontecer, sua expressão de terror vai ser o espetáculo mais lindo da face dessa terra pútrida. Lance-se de cabeça no abismo, corra para fora da zona de tiro, pois pessoas estão morrendo na cidade. Eu estou te dando uma chance de se esconder. Encare isso como uma vantagem. Um presente de amigo. A maioria dos outros nunca vai ter esse pequeno privilégio. Sua irmã está comigo. Ela se tornará parte de mim em breve. Nós iremos caminhar de mãos dadas pelas terras planificadas do paraíso. Eu, ela, e todos os profetas. Nós purificamos. Nós cumprimos a missão. E nós merecemos a nossa graça. Sua irmã tem talento. Ela será uma de nós em breve. A mais bela de todas as profetas. Com seus cabelos negros como a noite, seus lábios de carmim, e seus olhos verde-esmeralda... Eu a amo. Eu a amo, minha doce aprendiz. Que pena, jovem rapaz, que você não é puro como ela para poder nos acompanhar. Mas tudo bem... em breve eu estarei na sua casa, pronto para purifica-lo. Por enquanto é só isso, adeus. E lembre-se que pessoas estão morrendo na cidade, e em breve você pode ser uma delas.”

Reconheço a voz de Daniel. Por mais que esteja distorcida, é sem dúvida de Daniel.
Estou com medo... não consigo dormir...

8 de setembro de 2014
Não pode ser... Não pode ser...
Estava na internet esses dias, e não sei como fui parar num desses canais de terror no You Tube. Odeio esse tipo de canal... com tanta coisa ruim acontecendo na minha vida, o que menos eu quero é alguém tentando me por mais medo.
Mas o que me chamou a atenção foi um título de um vídeo... “O Profeta Risonho- por Anna Karenina”. Na hora que li aquilo, gelei. Corri para ver o vídeo. Era uma história sobre um serial killer brasileiro. O nome da minha irmã fora citado no título, e Daniel foi descrito. A máscara dele... exatamente a mesma máscara que eu vi há um ano atrás. Era ele na foto. Era ele...
Não durmo há três dias. Não sei o que fazer...

9 de setembro de 2014
Ouço os passos do profeta de aproximando...

10 de setembro de 2014
Ouço os passos do profeta de aproximando...

11 de setembro de 2014
Ouço os passos do profeta de aproximando...

28 de setembro de 2014
Eles me visitaram essa noite. Está tudo bem agora. Minha irmã... ela está bem. Vi quando ela chegou. Usava uma jaqueta preta, uma máscara de enfermeira cobrindo metade de seu rosto, mas deixando seus olhos verdes à mostra. O Profeta estava com ela. Eles estão por conta própria há algum tempo. Não são mais escravos do homem de terno. O Profeta conseguiu se livrar dele. Está tudo bem agora. O Profeta me purificou. Está tudo bem agora. Eu estou no hospital, prestes a morrer. Está tudo bem agora.

Resolvi contar pra você a minha história. Por que eu estou prestes a morrer, mas quero deixar um recado para minha irmã. Não tenho tempo nem forças para reescrever tudo, portanto copiei algumas paginas do meu diário no computador, e estou divulgando pela internet. Ela anda junto com o Profeta. E quando ela te encontrar, diga a ela que Edgar sente saudades, e que ele pede desculpas por tudo o que ele não pôde fazer. Sim, eu disse “quando” e não “se”. Eles vão te encontrar. O Profeta vai te purificar, assim como ele fez comigo. Não tem como fugir. Mas alegre-se. Nós seremos servidos para aquele que espera atrás do muro. Aquele de sete bocas. Todos nós. Então, se ela estiver junto dele, diga isso por mim. Mesmo que seja suas últimas palavras. Mesmo que não dê tempo. Antes de ser estraçalhado, antes de ser purificado, antes de morrer, diga a Anna Karenina que eu sinto saudades.

Satan's Sphinx

Eu ouvi falar sobre a Satan's Sphinx, de um amigo do Facebook. Ele me disse que esteve na internet durante 2 meses em 2009, então foi retirado do ar pelo governo. Foi retirado do mecanismo de busca do Google, todos os artigos do Wikipedia e vídeos do Youtube também foram retirados. Eu não sei por que o governo iria se importar com tal coisa. Depois eu perguntei para o meu amigo no Facebook, o que tinha tão de errado com essa tal de Satan's Sphinx, mas ele não tinha muito conhecimento sobre isso, mas ele me deu um e-mail de um outro amigo dele estava por dentro do assunto de cospirações paranormais.

Meu amigo disse que ele tinha conhecimento do vídeo e de outras coisas similares.

Eu enviei um e-mail para ele dizendo “Você sabe algo sobre a Satan's Sphinx?” Eu esperei ele responder, e depois de algumas horas ele me disse: “Sim”. Então eu o respondi perguntando “Você poderia me contar algo sobre isso?” e então ele me respondeu:

“A Satan's Sphinx é um vídeo que era e ainda é usado pelo governo. A gravação foi upada há 3 anos atrás por um usuário anônimo em alguns fóruns e no Youtube. Essas gravações foram retiradas da internet completamente pelo governo, pois causava suicídios, histeria, insanidade e abuso próprio. O vídeo contém conteúdo repugnante, que pode causar sede de sangue, levar a pessoa que o ver ao estado de choque e depois, ao suicídio.”

Então perguntei para ele “Você viu o vídeo?” Ele me respondeu isso:

“Sim, para ser honesto, eu vi. O vídeo em si contém gritos e mais gritos que podem te deixar surdo se o volume estiver acima de 45%. Então cenas de mortes e muito sangue vão de um lado para o outro muito rapidamente. Os seus olhos mal conseguem acompanhar a velocidade e a intensidade das imagens que aparecem. Então começam sussurros em uma linguagem sem o menor nexo, como se um humano estivesse tremendo e sussurrando em sua orelha. Depois de um minuto, os gritos ficam mais e mais intensos, enquanto as imagens, ficam mais e mais rápidas. A tela fica em um tom de sépia e monocromático, piscando constantemente.

Os sussurros ficam cada vez mais rápidos e mais irritantes. é como se você quisesse parar de ver o vídeo, mas não conseguisse parar de assistir, pois você entrou em estado de choque e descrença. Há uma razão para esse vídeo ser retirado do ar, era horripilante. Mas havia algo a mais. Era mais aterrorizante que qualquer filme de terror que você já viu na sua vida, e era bem curto também. 3 minutos e 49 segundos de duração para ser exato. Quando eu assisti, eu fiquei aterrorizado. Eu não queria assistir tudo. Mas quando eu terminei, eu estava assustado. As imagens, os gritos, estavam todos implantados no meu cérebro. Eu não conseguia esquecer. Eu me senti deprimido por dias depois de ter assistido o video. Eu me senti sozinho por alguma razão desconhecida. Eu tive pesadelos durante toda noite por duas semanas. Era horrível, eu queria me matar. Eu quase cometi suícidio um dia, quase. Mas aqui estou eu, e isso é tudo o que eu me lembro, é só isso?” Eu respondi: “Sim, obrigado.” Então ele não me respondeu mais.

Era como se escrever esse e-mail tivesse sido um momento pessoal para ele. Após ler esse e-mail, parecia que era um inferno assistir esse vídeo. E foi assim para todos que assistiram? Eu procurei depois por curiosidade. Eu achei um título “Gravação Original da Satan's Sphinx”. Eu cliquei, mas então deu o famoso erro “404 Não foi possível encontrar.”